Editorial – fevereiro 2017

Caros leitores,

Precisamos de trazer o metro para Gondomar. Dizem alguns que a recente decisão do Governo de prolongar as linhas no Porto e em Vila Nova de Gaia não prejudica Gondomar, pois é importante para os gondomarenses que a rede de metro cubra eficazmente o território e que seja rentável e sustentável.

Esta opção demonstra a política clara deste Governo de apostar nessas cidades e preterir Gondomar. O Governo, ao limitar o investimento no metro a 290 milhões de euros, está a demonstrar as suas opções.

Esta opção não é feita tendo em conta o interesse estratégico do país ou da região, mas é uma opção pelo que é fácil e pelo que pode ajudar os autarcas no poder a serem reeleitos.

Na minha opinião, a nova linha no Porto é praticamente inútil, pois ao ligar por uma segunda linha o que já está ligado (Casa da Musica a São Bento), sem passar junto do rio Douro e acrescentando apenas as estações de Galiza – que já é servida pela Casa da Música – e do Hospital de Santo António – única mais valia séria desta opção -, esta linha não vai ser uma aposta que melhore substancialmente a rede na cidade. Com esta nova linha Rosa, o Metro do Porto vai continuar a não cobrir amplas zonas da cidade, como toda a zona da Avenida da Boavista ou da Foz do Douro, sendo que a rede de Metro do Porto continua a ser um “metrinho”, pois dentro da cidade o cliente dispõe apenas de duas linhas transversais fortes. Fora da cidade, tirando poucos quilómetros em Matosinhos e outros na Maia, o Metro do Porto limitou-se a ocupar os carris de comboios que até iam funcionando e o centro de avenidas, como em Vila Nova de Gaia e Matosinhos.

Ou seja, os líderes regionais do Norte congratulam-se com estes escassos novos 290 milhões e ficam aparentemente contentes com mais uma linha de Metro e uma extensão em Gaia, num total de apenas cinco estações novas.

Os eleitores devem exigir dos seus eleitos que façam pressão forte para alterar este estado de coisas. Por um lado, para que estes 290 milhões sejam mais bem gastos. Por outro lado, para que o metro chegue ao centro de Gondomar, a única sede de conselho que está junto ao Porto mas que não tem ligação direta ao Metro.

E os eleitos da região devem lutar pela melhoria destas soluções e deixar de comer tudo o que este Governo dá, especialmente quando a comida já vem estragada.

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