Editorial – Junho 2014

José Ângelo Pinto - Administrador da Vivacidade, SA.

José Ângelo Pinto – Administrador da Vivacidade, SA.

Caros Leitores,

A política nacional está ao rubro, como consequência dos resultados desanimadores para a democracia e para o sistema político,  das recentes eleições europeias.
De quem é a culpa? Francamente acho que é da própria União Europeia. Se a abstenção em Portugal fosse muito diferente da dos outros países da União, então seria a abstenção um problema dos nossos políticos e do nosso povo. Mas como a abstenção nestas eleições não é muito diferente de país para país, temos que concluir que existe um sério problema de indiferença dos europeus em relação a estas eleições.
O grande problema da Europa é a incapacidade que tem demonstrado de funcionar como uma federação de Estados, tendo os Estados recusado perder poder para a União e tendo basicamente criado sistemas e organizações para além daqueles que os próprios países já tinham. Ou seja, nada foi substituído, foram sempre sendo acrescentadas coisas teoricamente novas…
E é por isso que não há defesa europeia. É por isso que os programas Europeus de exploração do espaço são de apenas alguns países. É por isso que os sistemas que a velha Europa tinha como, por exemplo, os de apoio aos países com maiores dificuldades sociais são os mesmos que existiam antes da União da Europa. É por isso que não fomos capazes de reestruturar o sistema de representação externa dos países Europeus, cujo custo global é brutal e basicamente desnecessário se soubéssemos aproveitar as escalas. E tantas outras coisas que a Europa precisa de mudar para que os cidadãos tenham sentimento de pertença.
Não quero ser mal-entendido. Eu gosto especialmente da Europa e do conceito Europeu, tenho muito orgulho e gosto em representar e falar pela União Europeia nas instâncias globais em que participo. Um dos maiores pequenos prazeres que tenho é receber as boas-vindas de volta quando passo num Aeroporto como Frankfurt ou Amsterdão, em que as boas-vindas dos guardas fronteiriços europeus nos fazem sentir de novo em casa, mesmo quando ainda estamos a três ou quatro mil quilómetros da chegada. Ou almoçar numa aldeia perdida no interior de França e saber que as pessoas que nos atendem, os restantes comensais e até mesmo a gastronomia local são elementos convergentes com a nossa forma de pensar, de ser e de sentir.
É por isso que a frustração de não sermos capazes de dar os passos necessários para solidificar a Europa me causa tanta preocupação.
Maior ainda quando claramente não houve um único dos partidos e coligações a concorrer ao Parlamento Europeu que fosse capaz de discutir a Europa e o seu futuro, por clara incapacidade da maior parte das pessoas que vão nas listas, a começar pelos seus “cabeças” de lista.
Apesar de tudo isto, no nosso concelho conseguimos que a abstenção fosse um pouco menor do que no território nacional – cerca de 1%, o que, sem dúvida, é motivado pela forma como o Vivacidade trabalhou este importante assunto.

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