Editorial – novembro 2018

Caros leitores,

Não compreendo como não se percebe que é muito grave haver pessoas a assinar por outras a sua presença na Assembleia da República, mesmo que inadvertidamente. E não percebo porque alguns protegem constantemente os amigos que o fazem. E não percebo como há tantos amigos prontos para entregar numa bandeja os outros amigos; nomeadamente disponibilizando informação interna das suas organizações à comunicação social. E, mais grave, não se percebe como os órgãos gestores da instituição (Presidência da Assembleia da República) nada fazem para verificar que todos cumprem as regras, ainda por cima quando se diz que todos fazem e, por isso, não é grave.

Para lá da óbvia e evidente responsabilidade criminal de quem falsifica documentos e registos e de quem adultera esses registos para tirar proveito próprio dever ser totalmente e cabalmente investigada pelos órgãos próprios, há a falha grave no sistema de controlo interno da Assembleia da República, que permite que quem não está esteja e que quem controla de nada saiba.

Mais grave ainda, é uma parte dos políticos achar que isto é normal. Felizmente que não são todos, mas algumas das declarações a este propósito são incríveis pois parece que os senhores políticos andam num universo paralelo invertido.

É muito grave.

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