Editorial – outubro 2016

Caros leitores,

Muitas pessoas têm dificuldade em separar objetivos do esforço e do resultado. Pode não se fazer grande esforço e produzir um excelente resultado. Como com um enorme esforço pode-se produzir um fraco resultado. E até um bom resultado pode ser incapaz de fazer atingir os objetivos….

É mau quando se faz muito esforço e não se consegue atingir resultados. É mau quando bons resultados não fazem atingir os objetivos. Mas o pior é quando os objetivos estão mal definidos. E é pior porque quando o objetivo é mau ou não está alinhado com a organização ou a região ou o seu futuro então o que temos é resultados e esforços inúteis. Muitas vezes mesmo contraproducentes….

Há alguns parvos ou patetas que conseguem fazer muito pior do que produzir maus resultados para maus objetivos.

Pior? Sim muito pior. São os burros diligentes que são bons executores e que fazem tudo o que se lhes manda, rapidamente. Um burro diligente com um chefe pouco escrupuloso ou com um chefe também ele parvo vai inevitavelmente levar ao pior que é possível: Eficácia na criação de maus resultados, que alimentam objetivos também maus. Ou seja, mais valia estar quieto e sossegado do que estar a ser diligentes e trabalhador para a causa ou para a pessoa errada.

A causa errada a receber esforços de um burro (ou burra) diligente é uma causa errada, que vai ser defendida e protegida com unhas e dentes. A pessoa errada a receber esforços dos burros (e das burras) diligentes vai levar a que causas não só erradas, como muitas vezes ética e moralmente reprováveis, tenham seguidores fiéis e prontos a dizer que sim ao chefe sem que haja contestação ou sequer avaliação dos motivos e das consequências da defesa acérrima dos objetivos que são impostos pelas causas dos chefes.

Mas há ainda pior. São os chico espertos que percebem imediatamente que a causa é errada e que a ética e a moral estão a ser sacrificadas por interesses individuais e pessoais. Mas como os chico-espertos só conseguem viver na sombra dos chefes e precisam de manter o estado que já atingiram e já têm, então fazem de conta que são burros diligentes e que não percebem onde estão e o que estão a fazer.

Por vezes, os chico-espertos zangam-se com os chefes, aparentemente por causa dos sacrifícios éticos e morais que tiveram que aceitar para poderem continuar a ser importantes nas suas organizações. É nessa altura que os moralistas podem bradar que se zangam as comadres e descobrem-se as verdades. E um chico-esperto zangado é o pior que pode haver, pois ele sabe que o esforço leva a um resultado que não interessa para o objetivo….

O tema de capa desta edição nada tem a ver com este editorial. A maior parte dos autarcas não é burro nem pateta nem parvo. Mas faço um apelo, na altura em que o Vivacidade lança as Autárquicas de 2017: senhores políticos, evitem os burros, os parvos e acima de tudo os chico-espertos nas vossas listas. Prefiram aqueles que vos dizem que não. Aqueles que vos explicam porque devem antes ir por ali. E fujam dos que dizem que sim a tudo. Livrem-se dos burros, dos parvos e dos chico-espertos e trabalhem muito com quem fica. O concelho agradece.

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