Editorial – setembro 2016

Caros leitores,

Ultimamente, tenho lembrado muita vezes um velho ditado inglês que, como quase todos os daquela origem têm muito mais piada na língua original. Refiro-me à expressão “a fool with a tool is still a fool” que é brilhante e representa muito bem inúmeras situações em que os tolos ou parvos têm a oportunidade de potenciar a sua tolice ou parvoíce por terem um instrumento ou ferramenta que potencia as suas capacidades.

Os gondomarenses foram invadidos por tolos e parvos já há muito tempo e com ferramentas e instrumentos que em muito potenciam as suas oportunidades de fazer tolices e parvoíces. Mas ultimamente parece que proliferam ainda mais do que é normal. Vou dar um exemplo: fruto da quantidade absolutamente anormal – e penso eu até contraproducente de obras que o nosso concelho está a executar – há um tolo (ou parvo) que fica nos comandos de um dos semáforos provisórios de obras que é uma ferramenta ou um instrumento inventado por outro tolo ou parvo, dependendo do ponto de vista. Lá está o tolo com a ferramenta que tem três botões e que é muito difícil de operar. Carrega no verde para os de baixo, carrega nos vermelhos para todos e depois volta a carregar duas vezes no verde para os de cima e no vermelho para todos. Mais valia o tolo (ou parvo) ter adormecido ou colapsado por causa dos evidentes teores do álcool mas com o verde para cima, pelo menos os de cima passavam e quando passassem todos os de baixo poderiam passar o vermelho.

Claro que é um exemplo. Nas obras há muitos e poderia falar dos tolos ou parvos que continuam a colocar mais asfalto em cima de asfalto que já ultrapassa os passeios desde as eleições de 2009 quando Gondomar foi igualmente invadido por tolos e parvos com máquinas de asfaltar. Ou na forma como as obras são abandonadas durante o fim de tarde e noite com tampas de saneamento bem acima da superfície e que são armadilhas mortais para muitos pneus e jantes.

Mas neste exemplo é mais tolo ou parvo aquele que manda do que o senhor que carrega nos botões. É que para se mandar bem e para os interesses dos utilizadores (neste caso munícipes que têm que passar pelas quatro zonas de obras na EN15) é difícil, pois o senhor dos semáforos prefere estar nos botões do que de facto estar preocupado com o fluxo de trânsito e a fazer com que as imensas filas se desfizessem. E como não temos assim tantos carros era fácil, bastava ter ordens para se levantar e andar a organizar a passagem dos carros em vez de bloquear a passagem com a sua ferramenta. Assim, como tinha que interagir com as pessoas que conduzem para promover a organização do trânsito podia ser que ficasse menos tolo. Ou menos parvo. Pelo menos aprendia alguma coisa para lá de carregar nos botões. Mas será que isso interessa ao seu chefe ou quanto mais tolo e mais parvo for o povo melhor?

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