Em Gondomar e no País, queremos um espaço livre do carcinógeno “glifosato”

Está mais que provado, que o uso deste herbicida é altamente prejudicial para a saúde dos seres humanos. Deste modo, devemos preocupar-nos pois é a saúde pública e o próprio ecossistema que estão em causa. Cabe-nos a todos, optar pelo princípio da precaução.

A Organização Mundial de Saúde considera que o glifosato é potencialmente cancerígeno. A ciência identificou a relação entre a exposição ao glifosato e o linfoma não-hodgkin e concluiu que este tipo de cancro no sangue é dos cancros que mais registados em Portugal, com cerca de 1700 novos casos por ano.

Uma pesquisa levada a cabo pela RTP prova que existem vários portugueses contaminados sendo que, a maior incidência verificou-se no Norte e Centro do País.

Ainda recentemente, um estudo revelou que os tampões e pensos higiénicos contêm resíduos tóxicos, cujo um dos componentes é o glifosato. Tal acontece porque são feitos de um produto agrícola nomeadamente, o algodão.

Não se trata de uma questão de uso individual, falamos de um químico omnipresente nas nossas vidas, a que somos expostos diariamente sem escolha ou proteção.

Não podemos aceitar que os interesses das multinacionais se sobreponham à saúde pública.

No passado dia 29 de fevereiro apresentei uma recomendação aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal, que pedia que caso em Gondomar fosse usado o glifosato se estudasse e se implementasse um plano alternativo à sua utilização, promovendo espaços públicos livres de pesticidas, com recurso a meios mecânicos, térmicos, manuais, ou outros.

Esta recomendação mereceu do Sr. presidente da Câmara o seguinte comentário: “A Câmara não usa mas irá fiscalizar quem o possa usar”. Acontece que, já depois da Assembleia tive conhecimento de que em 2014 Gondomar utilizou quatro mil Litros de glifosato e que, a nível nacional, Gondomar foi das que mais utilizou este veneno. A empresa Rede Ambiente, contratada pela Câmara de Gondomar para a recolha de resíduos sólidos e higiene urbana, usa este herbicida com o glifosato. Espero rapidamente que o executivo camarário tome medidas para acabar com o uso deste herbicida mortal.

O Bloco de Esquerda questionou todas as autarquias do País tendo recebido resposta de 107 delas, das quais 89 confirmaram o uso deste herbicida, e 18 afirmaram que já deixaram de utilizar este produto.

O Bloco de Esquerda vai apresentar uma proposta para que o Governo prepare no prazo de um ano, um relatório de avaliação dos efeitos do glifosato na saúde humana, com o intuito de avaliar a “perigosidade” do mesmo e avaliar medidas adicionais de proteção da saúde humana no quadro da utilização deste poluente.

Temos de impedir o seu uso pois, caso contrário os custos para a saúde humana serão incalculáveis.

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