“Entrada de leão, saída de ratinho”

O politicamente correto às vezes torna-se cansativo, bafiento e muito pouco interessante.

O medo tolhe a mente e a liberdade de escolha, entorpecidas por eventuais consequências. Mas cada um de nós tem a responsabilidade e a capacidade suficientes para a cada dia e em cada momento procurar que este rumo se altere.

Vivemos num tempo de amarras e de uma grave falta de frontalidade, uma espécie de complexo perverso que se foi paulatinamente instalando na nossa sociedade.

Há que despertar consciências para a importância cada vez maior do exercício da cidadania, não deixando que apenas alguns decidam o futuro que é de todos.

Veja-se a este propósito, o que se passou recentemente, como estarão bem recordados, quanto à célebre afirmação do presidente do Eurogrupo, Joren Dijsselbloem, que nem ouso repetir, em relação aos países do sul da Europa, em que nos incluímos.

Ao nível nacional, os órgãos de soberania, nomeadamente o Governo e o Parlamento condenaram aquele comportamento, exigindo até a sua demissão.

Mas, incompreensivelmente, na última reunião de ministros das finanças europeus, em Malta, o secretário de Estado, Mourinho Félix, apenas falou no assunto à margem da reunião e o tão anunciado pedido de demissão não passou de mais um número para consumo interno, e a entrada que inicialmente até parecia ter garras de leão rapidamente se transformou numa saída rastejante.

Uma atitude pouco digna e de enorme falta de coragem por parte de quem nos representa nas instâncias europeias, já que o mínimo que lhes é exigível é que dignifiquem e honrem o povo português.

Há que de uma vez por todas demonstrar claramente se queremos ter uma sociedade aberta e plural, ou uma sociedade em que apenas nos limitamos a abanar com a cabeça, a falar em surdina, a assobiar para o lado e quem vier atrás que feche a porta.

Há que encarar sem rodeios o que nos atinge, nunca cedendo a chantagens ou a oportunismos políticos encapotados, sendo preferível assumir posições no momento oportuno, do que lamentar o que podia ser feito, mas que por medo se adiou.

A vida vai-nos ensinando que não há nada mais corrosivo do que empurrar para a frente o que se impõe no imediato.

O exercício do poder deve ser encarado como um meio para se alcançar um fim: servir os anseios e as necessidades dos homens e das mulheres que se orgulham da história do seu país, e, que, por isso mesmo exigem ser representados com a honradez e a dignidade que merecem.

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