Entre a esperança e o horror da tragédia

1 – Da Esperança

Escrevo este texto na véspera do início de um conjunto de audições parlamentares sobre o depósito de resíduos perigosos nas escombreiras das antigas Minas de S. Pedro da Cova.

Já muito se escreveu e debateu, em torno deste tema, umas vezes com seriedade, outras nem tanto.

Infelizmente, a verdade é que passados 15 anos sobre a notificação da então DRAOT (Direção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território)- entretanto integrada na CCDR-Norte – e depois de uma polémica operação de remoção, cujo concurso, além de envolto em impugnações não englobou a totalidade do depósito, ainda aí permanecem cerca de 120 mil toneladas desses resíduos e subsistem uma multiplicidade de perguntas cujas respostas se pressentem sem que alguma vez tenham sido assumidas “preto no branco”.

Todavia, o facto de, no passado dia 8 deste mês, ter sido aprovada a abertura de um concurso para a conclusão da empreitada de remoção dos resíduos, no valor de 12 milhões de euros, permite-nos perscrutar uma luz ao fundo do túnel! Depois de um mar de peripécias, avanços e recuos estão reunidas as condições para a completa remoção dos resíduos.

Um passo que abre a janela da requalificação ambiental e urbanística de toda essa zona à qual se deve juntar a recuperação e preservação do património do antigo complexo mineiro, com especial destaque para o Cavalete de S. Vicente, peça única dentro do património industrial do país.

Voltarei a este tema no final das audições parlamentares…

2 – Do Horror e da Tragédia

Quis o triste acaso que a minha escrita fosse interrompida pela notícia do fatídico incêndio de Pedrógão Grande.

A tragédia chegou de forma inesperada e incontrolável e quem alguma vez lidou com a emergência, sabe bem o peso do fator surpresa sobre a capacidade de resposta ao desastre.

A Proteção Civil registou uma estrondosa evolução na última década, em termos de coordenação, meios técnicos e meios humanos. Contudo, isto jamais será suficiente se o ordenamento, a gestão florestal e a prevenção, não fizerem idêntico caminho. E, sejamos lúcidos, temos que ter a noção de que estamos a falar de questões complexas que demoraremos necessariamente muito tempo a resolver, apesar dos esforços que têm vindo a ser feitos. Mas o futuro não nos perdoará se não enfrentarmos a tarefa com a coragem e a determinação que a mesma exige.

Não podemos continuar a repetir este discurso ano após ano!

Espero não voltar a este tema…

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