Escolher futuro

Nos últimos dias temos assistido a uma campanha paralela à campanha autárquica. É a campanha do medo e da chantagem. São os juros, a desconfiança dos mercados e das agências de notação, são os senadores da direita todos a avisar-nos que poderá ser mau para o país se a vida correr mal ao governo.
O momento desta campanha não deixa de ser curioso. É no momento em que Portugal supostamente regressaria aos mercados (Passos Coelho tinha prometido que seria a 23 de Setembro de 2013), mas afinal está mais perto do que nunca de um segundo resgate.
A campanha do medo tenta encobrir as responsabilidades do governo. Porque sabem bem PSD e CDS  das culpas da política que escolheram, do rumo que quiseram. É a austeridade que mata o futuro e empobrece o país. Mais de 40% de desemprego jovem, mais de um milhão de desempregados, cortes nos salários e nas pensões, destruição da Escola Pública e do Serviço Nacional de Saúde. E uma dívida pública que não pára de crescer porque a chantagem da finança asfixia a economia.
Dizem PSD e CDS que temos de cumprir os contratos que assinámos. Têm razão. Por isso memsmo não se pode fazer gato sapato dos contratos assinados com os pensionistas, com os funcionários públicos, com quem trabalha em Portugal, quem paga os seus impostos, quem vive neste país, quem cá nasceu e quer cá poder viver. Os contratos não existem só para os credores.
Na  verdade não há escolha entre cortes nas pensões ou segundo resgate, corte nos salários ou segundo resgate, despedimentos ou segundo resgate. Com a austeridade nunca há solução. Aprofundar o caminho que nos trouxe até aqui é apenas trazer mais destruição.
A campanha da chantagem apenas mostra que a direita tem medo das eleições. Tem medo da avaliação da sua política no dia 29 de Setembro. No dia das eleições todos temos o mesmo poder; todos os votos valem o mesmo. E podemos avaliar a troika e a direita e chumbar a sua política.
Dia 29 de Setembro a direita teme que o país perca o medo. É o dia de dizer que basta de destruição, que exigimos alternativa. No dia das eleições reclamamos o direito ao futuro, reclamamos decência e dignidade, reclamamos as nossas vidas. É dia de virar à esquerda. Entre os juros e as pessoas, escolher as pessoas. Entre a chantagem e o futuro, escolher o futuro. Entre a solidariedade e o salve-se quem puder, escolher a solidariedade.
Dia 29 que ninguém falte à chamada, por um novo rumo que responda à crise. Dia 29 o voto no Bloco de Esquerda é o voto do futuro, dignidade, da solidariedade.

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