Esperança

Por Michael Seufert

As eleições legislativas do Outono prometem não só uma acesa campanha como – tenho para mim – muitas surpresas.

A pressão que as sondagens colocaram sobre o PS (António Costa teima em não descolar da maioria) já serviram para uma coisa: os socialistas foram obrigados a colocar as suas propostas no papel. E com isso começaram os compromissos. E o quebrar desses.

António Costa, com pompa e circunstância, encomendou a um grupo de economistas de dentro e de fora do partido que lhe elaborassem uma previsão de como a economia portuguesa se comportará nos próximos anos, partindo de certas propostas – chamaram-lhe o “cenário macroeconómico do PS”.

Tal cenário poderia de facto ser uma ferramenta útil: o PS compromete-se com determinadas propostas, estuda e avalia qual o seu impacto nas contas públicas e na economia, e elabora com base nisso uma previsão de evolução da economia portuguesa. É bom, mas há um fator que o cenário não contemplou: o cenário não contou com a fúria de promessas do próprio António Costa.

Nem uma semana passou da apresentação do tal importante cenário e já Costa tinha deitado por terra qualquer credibilidade. Ainda a tinta não tinha secado, já o secretário-geral do PS prometia regressar às 35 horas na Função Pública, não privatizar a TAP e mexer (sem que se percebesse em que sentido) nos escalões do IRS. São três promessas socialistas com grande impacto em qualquer cenário macroeconómico que se queira discutir – Costa avança sem contemplações.

Eu nem condeno muito António Costa por tal comportamento: compreende-se perfeitamente. Depois de não conseguir sondagens melhores que Seguro – marginalmente piores, até – o secretário-geral do PS é hoje líder dum partido em desespero. Os militantes, dirigentes, deputados e governantes do PSD e do CDS trabalharam estes quatro anos para salvar o país e tirá-lo da bancarrota. O PS ficou à espera que o poder lhe caísse no colo.

Onde hoje do lado da maioria há um caminho que oferece esperança e um futuro melhor, do lado do PS há o total e absoluto esquecimento de que as medidas que levam a mais endividamento e mais despesa pública já provara não ser um bom caminho. E parece-me que os portugueses não estão para aí virados. Ainda bem.

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