Esquerda ainda vai a tempo de se unir nas presidenciais?

1 – Arrumada a questão das eleições legislativas que deu origem a um inesperado governo socialista com o apoio parlamentar de toda a esquerda, o país político concentra-se agora em torno das eleições presidenciais, marcadas para o dia 24 de janeiro. Os cidadãos, ainda atordoados com as reviravoltas das legislativas, têm-se mostrado indiferentes às candidaturas, centrando-se muito mais na época festiva.

Mas toda a gente sabe que a direita se apresenta unida em torno de um único candidato, enquanto à esquerda há pelo menos cinco, quatro dos quais com filiação partidária, e um independente de matriz assumidamente de esquerda. A grande dúvida é saber se os candidatos verdadeiramente partidários (comunista e bloquista) levarão ou não as respetivas candidaturas até às urnas.

2 – É sabido que as direções dos dois partidos têm afirmado que a disputa eleitoral é para ir até ao fim. Mas ninguém ignora que as táticas políticas têm como principal razão de existência a concretização de objetivos ganhadores. Ou seja, a qualquer momento, em função das conveniências de ocasião, as coisas podem mudar de rumo, em função das perspetivas do que poderão ser os resultados.

Quer isto dizer que não é de excluir a desistência, à boca das urnas, de um ou mesmo dos dois candidatos patrocinados pelos comunistas e pelos bloquistas. A esquerda tudo fará para, no mínimo, forçar a segunda volta, na esperança de, unida a uma só voz, conseguir evitar a eleição do candidato único da direita, que todas as sondagens apontam até agora como indiscutível vencedor.

3 – É neste quadro que a campanha eleitoral poderá assumir uma importância muito acima da que lhe tem sido atribuída até ao momento. A imagem pública do candidato único da direita tem feito dele o vencedor natural destas eleições. E nem o esforço conjunto dos candidatos da esquerda para o chamar ao centro do debate político tem tido qualquer efeito notório, a fazer fé nas sondagens.

Mas em política as coisas nunca são assim tão óbvias, nem há vencedores antecipados. Encerrada a quadra festiva, todas as atenções se concentrarão nas presidenciais. Teremos três semanas de intensa propaganda, que podem ainda mudar muita coisa. E se as eleições não ficarem resolvidas na primeira volta, então tudo pode acontecer, ainda que poucos acreditem em reviravoltas de última hora.

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