Estado da Nação

A um ano do fim do mandato deste governo, como está o país? O “ajustamento” da troika e do governo reconfigurou o país pela destruição dos direitos sociais e laborais.
Os cortes no Complemento Solidário para Idosos são talvez uma das mais violentas expressões deste governo. Menos 50 mil idosos com CSI não significa menos idosos pobres em Portugal. São sim idosos pobres que deixam de ser apoiados. Baixaram montantes de referência, aumentaram limite de idade, criaram novas formas burocráticas de exclusão. No momento da crise, em vez de alargar apoios para acudir a quem mais precisa, o governo inventou novas regras para retirar os apoios a quem sempre precisou. Não é fiscalização, é penalização. No CSI como nas outras prestações sociais.
Hoje, números oficiais e que escondem a drama dos desencorajados e do subemprego, quase meio milhão de pessoas em situação de desemprego estão sem qualquer apoio do Estado. Nestes estão os desempregados de longa duração, os jovens que desesperam por um contrato de trabalho que nunca chega, os recibos verdes a quem se prometeu o apoio que nunca chegou.
Este governo só tem para mostrar a política do abandono e a economia da desistência. As alterações no mercado do trabalho são isso mesmo: horários desumanos por baixo salário para uns; desemprego para outros.
A direita transformou os trabalhadores em colaboradores, que seriam precários e agora estagiários. Os estágios substituem o emprego, com financiamento direto do Estado às empresas para que não criem postos de trabalho. São os novos precários, mais precários ainda.
O “ajustamento” penaliza quem trabalha e condena o país. Bem pode o governo bater no peito a garantir a preocupação com a natalidade. Como pode quem aos 20, 30, 40 anos vive de estágio em estágio, de bolsa em bolsa, de subemprego para desemprego, querer ter filhos em Portugal? Poder viver em Portugal?
E a pergunta é: teria de ser assim? Não tem. Quem trabalha e vive em Portugal nunca pagou tanto a um país que oferece tão pouco. O país está a ser sangrado pela austeridade e em nome da dívida pública.
A dívida pública está hoje em mais de 130% do PIB e continua a aumentar. São mais 25 milhões de euros a cada dia que passa. O serviço da dívida são os cortes nas escolas, é a saúde que piora, é o desemprego que nos afunda. A escolha entre a dívida e o país é a escolha determinante. Reestruturação não pode mais ser tabu; é a exigência da sobrevivência do país.

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