Ética Médica

Tem surgido ao longo dos tempos algumas confusões do que é efetivamente a ética médica, quais as normas de boas práticas médicas, numa relação que se pretende ser especial, que é a relação médico – doente. A maior parte das vezes, a confusão é inerente do desconhecimento e da formação das pessoas em causa. Vemos essa confusão, por exemplo no nosso ministro da Saúde, bem como em pessoas com responsabilidades sociais e universitárias, só desculpáveis, pois não têm qualquer formação na área da Medicina e do que tem de especial a relação do médico com o paciente. Por esse motivo, têm-se agravado as relações entre os profissionais médicos e o Ministério da Saúde, inclusive com marcação de um novo período de greves. Como senão bastasse, com os vários problemas sérios atuais, preocupou-se o Ministério da Saúde com as eventuais prendas que os pacientes possam dar aos médicos. Realmente, chega a ser ridículo as razões evocadas para as normas de proibição que se pretenda. Ao longo da minha vida profissional, aprendi com os meus colegas mais velhos e experientes, que deveríamos aceitar e respeitar as ofertas dos pacientes, desde que nunca fosse dinheiro ou que isso representasse uma alteração na nossa conduta profissional, ou seja, a única condição, seria como reconhecimento e não antecipadamente a um ato médico. Recebi ao longo destes anos reconhecimentos de todos os géneros e feitios, não podendo esquecer de alguns objetos que muitos pacientes pobres me deram, muitas vezes com sacrifício pessoal, só compensado pela alegria visível nos seus rostos, por aceitar com prazer e respeito a oferta em causa.
A ética não deve ser confundida, quer seja em medicina privada ou pública, ambas com os seus problemas específicos. Por exemplo, em medicina privada, é sim uma conduta antiética, obrigar o doente a fazer um tratamento ou um exame complementar de diagnóstico, tal como um RX ou TAC, na instituição em que o médico efetua a consulta médica, muitas vezes sem acordo com o seguro ou sistema de saúde do paciente. Só por motivos técnicos, bem explicados ao doente, se pode aconselhar um determinado exame em determinado local, mas sempre como conselho e não como obrigação. Isto sim, são as boas normas éticas de uma medicina condigna.
Para o cumprimento das boas normas éticas, antes de mais, o médico tem de ter uma boa formação pessoal, mas sobretudo, para saber ética médica e as boas normas e condutas de praticar medicina, tem de ser, Médico. Todo resto é fantasia e petulância.
Até breve, estimados leitores…

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