Europa 2015

Uma parte da nossa esquerda anda entretida com o que se passa lá fora, em vez de procurar fazer valer cá os seus pontos de vista. É compreensível: o Bloco de Esquerda definha nas sondagens e o PS não descola dos valores que Seguro já apresentava e que justificaram o assalto de Costa. A vitória do partido grego da esquerda radical foi o pretexto. De repente, nas palavras de Louçã, um governo estrangeiro representa os portugueses. Depois de décadas de uma esquerda dominada por Moscovo, Atenas parece ser o novo Éden da nossa esquerda. É pena que não haja mais nada a dizer aos portugueses do que “Somos todos gregos”.
É que valeria a pena que o Partido Socialista ajudasse a debater o que correu mal de 2005 a 2011 e porque é que deixou o país falido. O que é que aprendeu com isso e porque é que não vai repetir o descalabro. Aparentemente não há esse interesse porque tudo se resolve se arranjarmos mais um financiamento ao governo grego – ao fim de cinco anos em que pouco ou nada se reformou por aqueles lados. E se o PS acha que tudo se resolve com mais dinheiro, ou mais tempo, ou menos juros ou qualquer coisa que dependa de outros países pagarem as não-reformas gregas ou o programa eleitoral socialista português, então estamos condenados a repetir a bancarrota em breve. E isso seria lamentável porque conseguimos, finalmente, e após muitos esforços para pagar as dívidas do PS recuperar economicamente: o desemprego desce há mais de 20 meses (e o emprego aumenta!), a economia cresce e a situação do país melhora. Ainda estes dias foram públicos os dados do Instituto Nacional de Estatística que mostram o país em 2014 a crescer – quando o PS tinha garantido que iria regredir. Mais que isso, dizer agora que Portugal tem de pagar do seu orçamento fundos para que os gregos anulem privatizações, subam desenfreadamente o seu salário mínimo e deixem para trás as reformas acordadas com a Europa é querer fazer de conta que a Europa pode continuar a funcionar sem que os seus Estados-membros ponham as contas públicas em dia e as suas economias equilibradas. Quem acha que os Estados podem continuar a endividar-se sem olhar à sustentabilidade dessa dívida foi derrotado pela história. Também por isso os próximos tempos serão interessantes. Ou o Syriza desiste do seu caminho e assume que não cumpre o que prometeu, ou leva tudo às últimas consequências, a Grécia sai do Euro e entra numa espiral de desastre económico. Em qualquer caso aguardo com expectativa a reação de quem se lhe colou.

,