Fadário quotidiano em Rio Tinto

Gondomar integra uma das dez maiores freguesias do País, a freguesia de Rio Tinto. Pois, sendo uma das dez maiores, é claramente a única que, estando junto a uma grande cidade – a cidade do Porto -, não possui nem tem acesso direto a uma autoestrada.

Com efeito e quotidianamente, desesperam os cidadãos – riotintenses em especial -, que, pelas mais diferentes razões, se atrevem a querer chegar, logo pela manhã, à cidade do Porto. As condições de acesso são tão anacrónicas em função da atual realidade de circulação automóvel (volume de trânsito e concentração automóvel), que trinta minutos não chegam para fazer dois “míseros” quilómetros sendo que, em dias de chuva, o caos se instala e a demora se impõe como protagonista.

Falámos do percurso que compreende a Avenida Domingos Gonçalves de Sá, e que continuando pela Avenida Sá Carneiro até Rebordãos, desemboca numa das entradas na Circunvalação. É confrangedor o fado de quem por ali tem que passar diariamente, pois não tendo alternativa, mais não lhe resta que “engordar” a fila de trânsito e esperar que o tempo, o muito tempo na fila, em ritmo de caracol, vá passando.

Efetivamente, a proximidade do Porto fez crescer o movimento automóvel em Rio Tinto, e sem que os responsáveis técnicos e políticos tivessem antevisto tamanho aumento do fluxo de trânsito, em especial durante o período critico da manhã. Não foram atempadamente “pensadas” soluções que obviassem ou, pelo menos minorassem esta frustrante realidade quotidiana, deixando-se antes que a pressão automóvel, bem logo pela manhã, se instalasse, e começasse a moldar a vida deste gondomarenses. Agora que irá avançar a requalificação da Circunvalação, talvez seja o timing para se projetar e produzir uma alternativa a este fadário de tantos gondomarenses, proporcionando-lhes um caminho alternativo que os desenvencilhe desta atual inelutabilidade.

No que concerne ao CDS, deixamos aqui uma proposta, que nos parecendo exequível, com toda a certeza alterará o atual paradigma na matéria, contribuindo para a efetiva melhoria da qualidade de vida de tantos quantos por aqui têm de passar para aceder ao Porto. E a nossa proposta passa pela construção de um túnel em Rebordãos, aliás local onde já existe um em sentido contrário. Tratar-se-ia de uma obra de pouco mais de uma centena de metros que se iria ligar à denominada Via Contumil, construída no âmbito do Euro 2004 e que tendo acesso direto à Avenida Fernão de Magalhães, se encontra hoje inadvertidamente subaproveitada, por manifesta falta de enquadramento com a envolvência (de ligação oportuna a vias mais congestionadas). Seria solução que obviaria claramente ao stress quotidiano de todo o trânsito vindo de Rio Tinto, e que descongestionaria igualmente muita da pressão automóvel na Circunvalação, desde logo na zona da rotunda da Areosa.

Poderia ser esta uma obra dispendiosa? Sim, por ventura. Contudo seria, cremos nós, uma solução a considerar seriamente, pois solucionaria muita da tensão quotidiana do trafego na zona, como potenciaria outras diferentes soluções de circulação naquela envolvência. Quando as soluções são estruturais, como acreditamos ser esta, o peso dos custos relativiza-se, porque serão a médio e longo prazo bem maiores os benefícios sentidos, aos mais diferentes níveis, na qualidade de vida de todos os usuários deste percurso e, no caso, maioritariamente dos gondomarenses.

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