Fazer a diferença

A campanha oficial para as eleições de 4 de outubro só agora começou. Ou melhor, começaram as distribuições de propaganda, tempos de antena e comícios, mas a verdadeira campanha de PSD e CDS há muito que está na rua. Há vários meses que Passos Coelho tenta reescrever a história do que foi o seu Governo, resultados e motivações.

Mitos urbanos, chama-lhes Passos Coelho, enquanto vai desdizendo tudo o que disse e fez no Governo. O novo Passos nunca apelou à emigração, como se não o tivéssemos ouvido e visto no que resultaram as suas políticas. Diz nunca ter defendido as virtudes da austeridade, embora sempre tenha dito que o empobrecimento era o caminho para recuperar o país. Garante a pés juntos que nunca cortou rendimentos aos mais pobres, mas estes bem sabem que viram o IVA da luz disparar, perderam o rendimento social de inserção ou complemente solidário para os idosos.  Mas a lista não acaba aqui, o Governo cortou também o acesso ao subsídio desemprego e diminuiu o seu valor, o mesmo acontecendo com a proteção na doença ou despedimento.

Não se enganem. O novo Passos, que agora se diz preocupado com as desigualdades sociais que ajudou a fomentar, é o mesmo que ainda há três meses se arrependia não ter conseguido descido ainda mais os salários. Velhas ou recicladas, não deixam de ser mentiras por isso.

Mas a campanha mesmo, a outra, essa já está a ser marcada por uma sucessão inédita de sondagens, comentários, analises, dissertações e estudos, todos eles apontando para a inevitabilidade da decisão entre dois votos e a compressão da decisão entre PS e a coligação de direita. Uma democracia onde só se pode decidir entre quem quer cortar as pensões e quem lhes quer tirar rendimento, congelando-as, é uma democracia diminuída.

A alternância na austeridade não resolve o problema. A austeridade que fez cortar os salários, destruiu milhares de postos de trabalho e levou uma geração a emigrar não pode trazer outro futuro que não o que conhecemos nestes últimos anos. Quem nos trouxe à crise, não nos vai tirar da crise.

As eleições de 4 de outubro não são um jogo a dois, ou um passatempo do descubra as diferenças para ver como vai ficar tudo parecido, são a hipótese de mudar, mudar mesmo. A campanha pode estar no início, mas arrancamos com a certeza redobrada que é essa a força que nos vai fazer ter mais força. Para mudar. De verdade.

,