Feliz 2014! Um ano com diversas incógnitas…

Com a aproximação do início de 2014, somos todos levados a fazer um balanço do ano que finda e uma projeção das nossas expectativas para o período que se avizinha. Um ritual repetido a cada ano e que, desta vez, fica marcado por diversas incógnitas.

O Plano B
Dentro de poucos dias assistiremos à mais do que previsível promulgação, pelo Presidente da República, do Orçamento do Estado 2014. Ato a que se seguirá a inevitável remessa, por iniciativa dos partidos da oposição, para o Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva da inconstitucionalidade de algumas normas. Ao não submeter este diploma a fiscalização preventiva, o Presidente República fará com que se arraste pelo próximo ano dentro o anúncio e as consequências de qualquer declaração de inconstitucionalidade.
Lá teremos que esperar por meados de 2014 para descobrir o Plano B do Governo, na sua plenitude. Já nos acostumamos a isto ao longo dos três últimos anos, mas convenhamos que a persistência do Governo e de Cavaco Silva no mesmo erro se está a tornar intolerável.

O fim do Programa de Assistência Económica e Financeira
Depois de tantas avaliações positivas da Troika ao desempenho de Portugal no cumprimento do PAEF e de todo o fervor austeritário colocado pelo Governo na sua aplicação, seria de esperar que, à imagem do que aconteceu com a Irlanda, chegássemos ao termo deste programa sem necessitar de qualquer programa de acompanhamento. Contudo, previnam-se os incautos porque a Troika mostra-se longe, muito longe, de tal anúncio.
Entretanto, a Alemanha veio anunciar estar disponível para uma ajuda a Portugal no seu processo de regresso aos mercados. Esta notícia, a confirmar-se, fará com que muitos rejubilem. Porém, é bom lembrar que não há almoços grátis e esta salsicha alemã poderá revelar-se absolutamente indigesta. Desenganem-se aqueles que pensavam que 2014 seria o fim do pesadelo.

As eleições para o Parlamento Europeu
A coligação PPD/PSD-CDS/PP, depois do seu último arrufo conjugal, brindou-nos com uma prova da solidez da sua relação – consubstanciada no projeto de apresentação de uma lista conjunta ao Parlamento Europeu. Ao que parece, ainda nada disto é dado como certo e poderão aparecer algumas dificuldades aritméticas na assinatura deste acordo de geometria variável.
Diante deste tango intermitente, em que parece que as vontades dos dois bailarinos imprescindíveis para a dança nem sempre se conjuga, e do desgaste que a ação governativa vai produzindo adensa-se a expectativa de uma grande vitória da oposição, sobretudo do PS, que servirá como anúncio da mudança a operar nas legislativas de 2015. Contudo, um pouco por toda a Europa, a adesão a algum discurso mais radical e a respostas mais arrojadas para uma crise cujo fim parece incerto, são sinais evidentes da impaciência que a crise está a provocar nos cidadãos em relação aos tradicionais partidos do arco do poder e não podem ser menosprezados.
Embora seja cedo para prognósticos, atrever-me-ia a antecipar que esta batalha será ganha por quem mais ousar, na (re)definição de um rumo para a Europa, no discurso e no romper de barreiras de aproximação aos eleitores, cujo esforço de mobilização se mostra particularmente difícil. Se isto não acontecer esbarraremos no estrondosa vitória da abstenção que baralhará todas as leituras em relação às legislativas de 2015.

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