Fénix renascidas

Estamos em pleno agosto. Tempo de férias para a maioria dos portugueses. Tempo para passar com a família, para relaxar e esquecer as preocupações do dia-a-dia. Tempo para refletir, e para ganhar energias para o que se seguirá.

Setembro abraçará o país com as várias campanhas para as eleições autárquicas. Será o tempo de decidir, de fazer uso da nossa democracia, e escolher em consciência, o projeto e o candidato que na nossa opinião farão o melhor pelas suas terras.

Nestas eleições em especial, observamos que existem vários candidatos a recandidatarem-se que, no exercício das suas funções enquanto autarcas, foram acusados, julgados e condenados por vários crimes como corrupção, prevaricação ou abuso de poder. Não obstante isso, surgem qual fénix renascida, iludindo as massas com o populismo mais pobre e vazio que a memória nos recorda.

Parece-me a mim que há duas coisas muito erradas neste cenário. Em primeiro lugar, a própria lei portuguesa que permite que uma pessoa que foi condenada por abuso de poder enquanto membro executivo de uma Câmara Municipal se possa candidatar novamente. Se um funcionário público, por exemplo, tem que demonstrar que o seu registo criminal não tem incidências para poder ser contratado, como é que alguém que foi efetivamente condenado por um crime ligado às funções a que se candidata, possa ainda sequer fazer parte de uma lista? Como pode a legislação portuguesa permitir que alguém que colocou os seus interesses pessoais acima de qualquer interesse comum que jurou defender, pode novamente candidatar-se a uma posição onde lhe permitirá cometer o mesmo erro? Não deveriam ser os nossos candidatos pessoas idóneas, de caráter, que percebem que trabalham para o bem comum?

E acobertado pela lei, surge-me o segundo erro. Ainda existem pessoas que, em plena democracia, escolhem em consciência quem infringiu a lei, quem não os defendeu, quem os enganou publicamente e sem decoro? Será um desengano consciente, ou uma falácia imposta pelo desconhecimento?

Acredito na democracia e exijo-a. Mas um acreditar com a mesma intensidade com que exijo honestidade, da mesma forma que exijo competência, verdade, justiça e frontalidade.

Espero que os portugueses sejam exigentes. Que escolham para as suas terras as melhores pessoas, as de caráter e as competentes. As que concebem projetos em prol do desenvolvimento, das pessoas e do futuro. Acredito – preciso de acreditar – que os portugueses são se limitarão ao silêncio, e que nestas eleições vão mostrar que não se deixam enganar novamente. Que o populismo demagogo não serve, nem nunca mais terá lugar nas nossas terras.

, ,