Feridas das primárias do PS não terão efeitos eleitorais

1 – O novo ano político que começa a dar os primeiros passos será indiscutivelmente marcado pelos caminhos que o Partido Socialista venha a escolher para a sua pacificação interna. Não vale a pena ter ilusões sobre as feridas internas que a disputa das primárias necessariamente está a gerar. Mas também é uma ilusão pensar que, no fim da linha, os socialistas continuarão a alimentar divisões, pondo em causa a disputa eleitoral do próximo ano.
O instinto político de sobrevivência, e sobretudo o cheiro a poder é um antídoto imbatível em qualquer partido, contra qualquer forma de divisão, sempre que no horizonte se avizinham eleições nacionais. Ora, tanto os dirigentes socialistas, como o seu próprio eleitorado, sabem muito bem que entre alguns amuos circunstanciais, e a hipótese de retomar o poder da governação nacional não há dúvidas na escolha.

2 – Ora, é neste cenário que a atual coligação no poder tem de pensar e definir a sua própria estratégia. Porque o eleitorado rosa – e ainda menos os militantes e simpatizantes – não confunde os planos; e todos sabem muito bem que não há melhor forma de obter a unidade e mobilização interna do que ter a meta do poder à distância de alguns meses de umas eleições legislativas determinantes para o futuro do país.
Enganam-se igualmente os que pensam que uns ténues sinais de recuperação económica em alguns segmentos do quotidiano nacional são suficientes para assegurar a continuidade no poder da atual coligação. Seria a negação total das leis da ciência política que tal viesse a verificar-se. Por isso, o cenário normal será que o PS regresse ao poder na próxima ida às urnas, independentemente do seu líder.

3 – Há, finalmente, os que acalentam a ideia de ainda se vir a verificar no seio dos social-democratas um processo de disputa de liderança, antes das eleições, semelhante ao do PS, mas, neste caso, protagonizado por Passos Coelho e Rui Rio. Pura ilusão. Nem Passos Coelho abdicará da sua teimosia de ser julgado pelos eleitores, nem Rui Rio, que é um disciplinado institucionalista, jamais aceitará protagonizar uma disputa contra um líder em plenitude de funções.
Resulta do exposto que tudo se conjuga para que o PS veja de novo o poder governativo a sorrir-lhe pela frente. E a dúvida que se coloca é apenas a de saber qual o resultado que pode obter. E daí as incógnitas sobre a configuração do próximo futuro governo. Não sendo crível que o PS obtenha uma maioria absoluta, restará saber com quem se pode coligar para formar um governo estável. Muito provavelmente, Marinho Pinto e/ou a esquerda radical podem ser a fatura (barata!) que os socialistas têm de pagar. O tempo o dirá!

, ,