Frutos de uma “Educação Deseducada”

Por Ana Pão Trigo

Vivemos tempos de pura “Educação Deseducada”! O trabalho do Sr. Ministro Nuno Crato resume-se a isto: medidas sem medida, um atentado à escola pública! Atrasos nas colocações de professores, o maior desrespeito, alguma vez visto, por estes profissionais, exames e mais exames, currículos completamente desajustados face ao desenvolvimento dos alunos, ausência de alternativas e apoios para alunos especiais, sem rótulo, que não constam das contas do governo, turmas a “rebentar pelas costuras”, fecho de escolas, número deficiente de pessoal docente e não docente, basta!

 A educação não é mais do que “Criar com afeto e educar com firmeza”. Ora, este Crato não tem apresentado qualquer afeto pela classe dos professores, nem respeito pela integridade desenvolvimental dos alunos.

Os professores, o desemprego, sucessivos concursos de “desinvestimento” total nas suas carreiras, submetidos a uma prova que pretende “assegurar mecanismos de regulação da qualidade do exercício”. Parece-me mais uma prova que não avalia nem competências científicas, nem académicas, nem soft skills, tão importantes para o exercício de tais funções. Uma prova tão limitada quanto quem a inventou! Invista-se na formação dos professores, nas universidades, proporcionando oportunidades de formação contínua.

A “educação pelo terror”, pelos “números”. Alunos obrigados a estudar sob a pressão de obter resultados satisfatórios em exames nacionais. Não restando tempo para o estudo de outras disciplinas importantes: todas! Preocupem-se só com Português e Matemática, os “bichos papões” lá da escola! Escola? Uma “desoportunidade” para se formarem como pessoas, não há tempo para grandes filosofias, há metas! Onde anda o “gostar de aprender”? As escolas não têm tempo para isso, lá vêm as metas e as papeladas e os resultados do PISA, sempre baixos.

Deseducação: absentismo, abandono, indisciplina, bullying… a educação em Portugal! Sr. Nuno Crato reveja-se e a reveja esta “Educação Deseducada”! Eduque-se para colher os frutos: jovens capazes, empreendedores, satisfeitos, trabalhadores de sucesso. A educação é o começo de qualquer construção, quer da nossa construção como seres humanos, quer da construção da própria sociedade. Com tanta “Deseducação”, o que estaremos nós a construir?

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