Há um ano Portugal crescia 1,5%, hoje cresce apenas 0,9%

Se há assunto que aparece quase sempre nos debates políticos é o crescimento económico. É normal que assim seja, até porque é essa a questão central para melhorar a vida concreta das pessoas. É com mais crescimento que teremos mais emprego, que podemos ter melhores políticas sociais e que, em suma, podemos ter uma vida melhor. Mas não é apenas por isso. É também porque a falta de crescimento forte tem sido um problema crónico em Portugal.

Quando este Governo tomou posse multiplicou-se em promessas de mais crescimento. Durante a campanha eleitoral chegaram até a apresentar um cenário macroeconómico, com aparência muito científica, mas na realidade usado para todo o tipo de promessas eleitoralistas. Na prática, o que está a acontecer é exatamente o contrário do prometido, previsto e proclamado: aquilo que temos é menos crescimento, menos investimento e, sobretudo, menos esperança.

Há um ano Portugal crescia 1,5%. Hoje cresce apenas 0,9%.

Em vez de confiança, temos reversões: em vez de um ensino de qualidade, temos o fim de exames e corte de turmas em escolas com melhores resultados; em vez de se procurar uma maneira de baixar a nossa carga fiscal, temos cada vez mais impostos. Aliás, o Governo aproveitou até o verão para anunciar que ia passar a tributar mais casas com maior exposição solar. Até pelo sol vamos pagar impostos!

Os partidos que apoiam o Governo (PS, BE, PCP e PEV), no passado tão reivindicativos, passaram a tudo assistir sem grandes indignações. Quer ao crescimento anémico, quer às promessas não cumpridas, quer mesmo até ao aumento de gestores e respetivos salários na Caixa Geral de Depósitos.

O mais inquietante, contudo, não é a situação presente. É sobretudo aquilo que está a ser deixado como herança ao futuro. Voltamos infelizmente ao tempo de empurrar os problemas com a barriga. E é assim que a dívida pública voltou novamente a crescer, bem como o que todos os meses temos que gastar a pagar juros. Da mesma forma que aumentam também os pagamentos em atraso. No futuro, esta conta só pode ser transformada em impostos a pagar pelas gerações futuras.

A solução para os problemas de Portugal não pode ser deixar para o futuro a sua resolução. Tem que ser resolvê-los agora, e de uma vez para sempre perceber que o crescimento económico se obtém com mais confiança, mais produtividade e mais empresas.

, ,