Hoje vou falar de “monstros”!

A Câmara Municipal de Gondomar tem divulgado, recentemente, uma campanha em que apela aos gondomarenses para não abandonarem os “monos” na via pública.

Até aqui, no geral, tudo bem… vamos, agora, às partes.

Dizem que recolhem gratuitamente os resíduos volumosos fora de uso. Os tais “monos”, ou “monstros”. É que, de forma mais frequente que o desejável, até defronte de uma instituição da qual sou dirigente, tenho visto eletrodomésticos, mobiliário, colchões e “outros similares” espalhados pela rua.

Nem vou analisar a questão de resíduos/restos de construção civil ou de restaurantes que são “abandonados” de forma completamente ilegal e imoral num qualquer monte ou zona mais desabitada. Tal, pela total falta de respeito, nem merece considerações.

Mas considerações, e várias, merece o excesso de lixo existente junto dos pontos de recolha “oficiais”.

O problema tem várias razões de ser. Não é culpa da Câmara o facto de os gondomarenses optarem por acumular o lixo na rua, deixando-o num qualquer lugar ou, até, colocando-o encostado a caixotes ou moloks já suficientemente cheios – a transbordar, até…

Isto é uma questão de educação cívica mas é, também, uma questão de fiscalização. É que a Câmara, bem ou mal, no passado, decidiu privatizar o processo de recolha de resíduos sólidos urbanos. Algo que, bem ou mal, no passado ou no presente, aconteceu e acontece também noutros municípios.

Vamos deixar de lado a quem pertence a decisão da “privatização” – assim se costuma designar – da recolha de resíduos sólidos urbanos. Foi uma decisão que gerou muita discussão, ainda mais confronto de ideias e, até, alguma polémica. Foi, recordo-me ainda, uma decisão na qual alguns então autarcas optaram por não participar (estariam doentes, de férias, ausentes em parte incerta). O resultado é que, se necessário, agora podem dizer “eu não votei a favor!”

Claro que não. Nem a favor, nem contra!

O lixo na rua, em Gondomar, tem sido um verdadeiro atentado público. Atendado à saúde, à imagem de município desenvolvido que se pretende e, principalmente, uma confirmação da absoluta incapacidade da Câmara Municipal de Gondomar fiscalizar/pressionar a empresa que tem esta concessão.

Mas o mal é abrangente. Em suma, quero dizer, não se restringe a Gondomar. Acontece nos concelhos vizinhos – até nos turisticamente sempre presentes nas “bocas do mundo”.

Há duas coisas em comum. Inúmeras, aliás…

Em comum há o lixo na rua. Em comum há uma empresa que trabalha para vários municípios. Em comum há viaturas, (poucos) funcionários e material, em constante deslocação, com horários a cumprir e mínimos exigidos pela entidade patronal. Só que os mínimos exigidos, quer pela entidade patronal, quer pelos critérios da Câmara de Gondomar, andam muito por baixo.

Faz-se de conta. E, como também muitos fazem em sua casa, varrem o pó para debaixo do tapete.

A Câmara de Gondomar diz, na publicidade, que quem deixar “monos” na via pública está sujeito a coimas. Aconselho, por tal, a Câmara de Gondomar a ler bem todo o clausulado do contrato de concessão da recolha de resíduos sólidos urbanos. E ter a mesma atitude de aplicação de coimas a montante, e não apenas a jusante. Que puna, e bem, quem nos proporciona este espetáculo deprimente e insalubre de lixo nas ruas. Mas que puna, ainda melhor, quem não cumpre com uma obrigação – que, não sei se se lembram, é paga por todos nós.

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