Ilusionismo político de Costa vencido pela dura realidade

1– Em meados de abril de 2016, na apresentação do programa “Simplex Mais”, António Costa brindou a então ministra da presidência, Maria Manuela Leitão Marques, com uma vaca voadora, desafiando-a a inspirar-se no ruminante até conseguir que o simpático animal levantasse voo. Costa era primeiro-ministro há cinco meses. E sabia do que falava. Tinha já conseguido criar a ilusão a muitos portugueses que vinha aí um tempo de vacas gordas.

Durante três anos o mágico do ilusionismo político conseguiu manter sala cheia. Sim, porque um verdadeiro artista, quando pisa o palco, motiva-se sobretudo com o palmómetro. Quantas mais palmas, mais ânimo. Só que os aplausos, quando em excesso, fazem doer as mãos, e deixam mazelas nos frágeis ossos das falanges. E das palmas ao sapateado vai a curta distância que coloca o estômago no epicentro do corpo humano…

2– Passados pouco mais que três anos de governação o mágico perdeu o brilho. A realidade sobrepôs-se à ilusão. Os protestos subiram de tom. As greves saltaram para o espaço público. Os hospitais, os tribunais, as escolas, as prisões, os portos, as repartições e quantas outras montras públicas tornaram-se no palco preferencial da sapateada e dos assobios de contestação. E já poucos suportam o espetáculo do ilusionismo.

Chegou a hora da verdade. Ouvem-se as sirenes de alarme, dentro e fora do país. As previsões de crescimento da nossa economia vão sendo revistas em baixa. As exportações desaceleram. O turismo vai perdendo a euforia dos últimos anos. Começam a ser postas à cobrança as faturas da ilusão. Como no dramático crescimento das famílias que se iludiram com o crédito ao consumo, e já não conseguem pagar as prestações mensais.

3– António Costa percebeu que a sua vaca voadora não saiu do estábulo, e as pastagens com que ele contava para a engordar estão cada vez mais secas. A sua varinha mágica alimentou um oceano de ilusões, mas os espetadores estão a desmontar, dia após dia, os truques de todos os malabarismos. É certo que os artistas tentam sobreviver com as digressões por todos os cantinhos do país, na vaga esperança de ainda encontrarem incautos que aplaudam o espetáculo…

Mas as promessas de pão e circo, mesmo com a chuva de milhões para tudo e para todos, no longínquo calendário de uma década, encontram pela frente uma vozearia de desconfiados. Sempre na vida a realidade se sobrepõe à ilusão. E nem com todo o esforço dos partners da geringonça o ilusionismo político parece sobreviver. Porque as vacas, gordas ou magras, não nasceram para voar. Desiluda-se, senhor primeiro-ministro.

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