Juntar para reinar

A tradição já não é o que era, o ditado popular “Dividir para Reinar”, também já não é o que era, mutatis mutandis  e agora passou a ser “Juntar para Reinar”.

Assim, entendeu quem, no passado dia 4 de outubro perdeu as eleições legislativas. O partido socialista decidiu unir-se ao BE, ao PCP e ao PEV para reinar e derrubar quem, legitimamente e através do voto livre exercido nas urnas, elegeu, de forma democrática, a coligação Portugal à Frente para decidir os destinos do País, dando assim sentido aos sacrifícios a que os portugueses foram sujeitos nos últimos quatro anos.

É legítimo fazer-se diversas leituras acerca do que os portugueses pretenderam no dia 4 de outubro, mas pelo menos temos uma certeza, a de que não escolheram o secretário-geral do PS para primeiro-ministro, embora se assista a uma tentativa de subversão do que foram, na realidade, os resultados eleitorais, que determinaram um voto de confiança na coligação PSD/CDS-PP.

É a vontade do povo que tem de ser respeitada, e não aquela a quem tudo parece valer para alcançar o tão desejado trono, apenas  por uma questão de sobrevivência política dentro do seu próprio partido, pois já todos percebemos que é disso que se trata.

A perplexidade na noite das eleições foi enorme, quando esperavam a sua demissão, considerando  que anteriormente o tinha imposto ao seu antecessor, que até tinha ganho as eleições europeias, embora por poucochinho, mas tinha ganho, não era suficiente, no seu entender, para continuar a liderar o Partido. Agora, António Costa perdeu e perdeu por muitinho, achando-se, mesmo assim, com legitimidade política para governar, ainda que, com uma minoria ainda mais pequenina do que a conseguida pelo próprio PSD, através do apoio parlamentar da aliança à  esquerda que, veremos se e como se irá concretizar.

Acima de tudo, tem de estar Portugal, pelos compromissos políticos e financeiros assumidos a nível nacional e europeu, compromissos esses que não foram apenas ratificados pelos partidos que compõem a coligação Portugal à Frente. Por isso, não se pode agora pôr em causa todo um caminho percorrido com pontos convergentes em questões fundamentais e cruciais, para deitarmos por terra os muitos sacrifícios feitos, ditados por uma situação de pré-bancarrota em que nos encontrávamos em 2011, pondo em causa a credibilidade e estabilidade de que tanto o País necessita e que tem vindo a ser conquistada, como demonstram diversos indicadores positivos anunciados quer por instâncias nacionais, quer internacionais, nomeadamente,  o aumento das exportações, o aumento do consumo, a diminuição da taxa de desemprego, o crescimento da economia em 1,4%, em termos homólogos neste terceiro trimestre, entre outros.

Estaremos em tempos de confusão ideológica? Como se consegue compreender esta junção à esquerda entre forças políticas que têm na sua génese, princípios que não são passíveis de conciliação, ou será que as referências basilares  de cada um deles também já não são o que eram? Interrogações que legitimamente se fazem, quando estamos perante uma junção entre o Partido Socialista e uma esquerda radical, misturando-se  dentro da mesma estrutura quem, do ponto de vista ideológico sempre se distanciou.

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