Mas que Governo é este? – O povo merece respeito!

1– Desde a apresentação na Assembleia da República do Orçamento do Estado para 2019, em outubro passado, que foi descarada a entrada do Governo em módulo de pré-campanha eleitoral. A cada medida tida como mais simpática, assistimos a um rol de propaganda sem limites, em qualquer lugar, a qualquer hora, pela boca de qualquer membro do Governo. A grafonola da propaganda governamental nunca mais teve conta nem limites.

Mas com a viragem da última folha do calendário o guião da propaganda ampliou-se ainda mais. António Costa nunca mais teve parança, e de norte a sul do país é só rebobinar o que aconteceu neste mês de janeiro para comprovarmos que o Governo não tem mãos a medir. Num corrupio sem freio, o primeiro-ministro corre o país de lés a lés, a anunciar milagres e todo o tipo de boas notícias. Simultaneamente, os seus ministros desdobram-se em igual afã…

2– Ainda assim a realidade desmente todos os dias a euforia governamental. Basta ver o surto de greves dos últimos quatro meses para qualquer cidadão, mesmo o mais distraído, concluir que alguma coisa não bate certo. Se está tudo tão bem, porque raio assistimos ao maior movimento grevista de que há memória? Se toda a gente foi abençoada com a governação da geringonça, porque é que há tanta contestação? A resposta é simples: quem semeia ilusões colhe descontentamento. E é isto que o atual governo mais tem feito.

Vejamos apenas os movimentos contestatários mais expressivos: os professores continuam em luta; os médicos, os enfermeiros e técnicos de diagnóstico prosseguem com as suas reivindicações; juízes, magistrados, oficiais de justiça e notários mantêm o seu braço de ferro; polícias, guardas prisionais e forças de segurança reclamam melhores condições de trabalho; trabalhadores dos transportes ferroviários, rodoviários e portuários não abdicam de novos enquadramentos profissionais. Enfim, a máquina do estado e atividades dele dependentes estão todas a ferro e fogo.

3– Enquanto isto, vemos o Governo a anunciar milhões para isto, milhões para aquilo, grandes obras, grandes planos, grandes investimentos, grandes projetos por tudo quanto é lado. Mas também tudo para daqui a cinco, dez, quinze ou mais anos. Novos hospitais e centros de saúde, novos troços rodoviários, novas linhas de metro e caminhos de ferro, novos comboios, novos aviões, novos barcos, novos aeroportos, novos portos marítimos, novas plataformas logísticas, novos centros de investigação e desenvolvimento, etc, etc… tudo para a próxima década!

O novo programa de fundos europeus, o designado “Portugal 2030”, é, na boca do primeiro-ministro, um cofre sem fundo. Mas, paralelamente, o programa “Portugal 2020” tem uma baixíssima execução, e já foi reprogramado numa tentativa desesperada de recuperar alguns milhões de euros que, tudo indica, poderão regressar a Bruxelas por não serem aplicados dentro do calendário definido. Ou seja, o Governo anuncia leite e mel, mas apenas alimenta ilusões, que o passado e o presente da governação demonstram que são apenas propaganda política. O povo não é tolo, e merece respeito…

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