Melres e as contas da(s) Água(s)

Não é nova, nem surpreendente, a constante polémica da população do concelho em relação à empresa Águas de Gondomar.

Estamos a falar de contratos formalizados no “passado” (como tanto gosta de recordar o presidente da Câmara de Gondomar). Mas estamos igualmente a falar de polémicas atuais e da quase total ausência de intervenção por parte da Câmara agora no poder. Leia-se, portanto, da Câmara liderada pelo Partido Socialista e pelo Sr. Marco Martins…

Com maioria absoluta no executivo camarário e igual maioria absoluta na Assembleia Municipal, a dupla Marco Martins/Aníbal Lira faz ouvidos de mercador aos reais problemas das pessoas.

Na Câmara fazem anúncios de soluções milagrosas – mas que, depois, nem são concretizadas. Na Assembleia Municipal, órgão no qual desempenho funções enquanto eleito, limitam-se a mandar calar toda a oposição, a negar a discussão das questões que consideramos relevantes e, principalmente, passam um atestado de incapacidade decisória aos que discordam desta maioria governativa do PS em Gondomar.

Tem-se verificado, nas semanas mais recentes (final de outubro, início de novembro), o envio de faturas de ligação ao saneamento para inúmeros moradores de Melres. Um envio, efetuado pela empresa Águas de Gondomar, que terá o “aval” do Sr. Presidente da Câmara…

E passo a explicar por que razão junto o Sr. Presidente da Câmara à missiva/fatura da empresa Águas de Gondomar…

Por mero acaso tive nas mãos uma das famosas faturas de ligação ao ramal de saneamento. Mais de 1.700 euros! Repito… Mais de 1.700 euros!

Mas será que ninguém se lembra das “negociações” encetadas em janeiro deste ano? Foi nessa altura que uma comissão de utentes do saneamento de Melres e Medas esteve com aquela que é a entidade titular do serviço de água e saneamento. Isto é, para quem não o saiba, a referida comissão reuniu com o presidente do Município de Gondomar. Qual o objetivo? Conseguir um tratamento mais justo aquilo que consideravam “exorbitantes preços” pedidos aos utentes pela ligação dos ramais.

Na sequência dessas negociações e de medidas aprovadas numa Assembleia Municipal (realizada em março), e ainda de outras negociações posteriores, a Águas de Gondomar comunicou aos referidos clientes que aceitaria o pagamento em 84 prestações, além de assumir a remedição dos ramais para aferir se o valor estava corretamente calculado. Ficou ainda definida uma redução global de 5% em relação às tarifas de 2018 (devendo as ligações à rede pública serem efetuadas até final de agosto de 2018). Valor de 5% que seria, como acordado, para aplicar no início e não no final do acordo estabelecido.

E porque a população de Melres considerou, então, não estarem definidas todas as condições para que lhe fosse feita justiça, houve nova reunião com um responsável camarário em agosto de 2018. Foi o vereador José Fernando Moreira que representou a Câmara (num encontro com elementos da Comissão de Utentes e o presidente e secretário da Junta da União de Freguesias de Melres e Medas – José Paiva e Alberto Pinto, para registo).

Nesse encontro de agosto garantiram que ETAR de Melres iria funcionar corretamente pois as águas do Rio Douro, naquela zona, estavam clara, pública e documentadamente contaminadas.

E acertou-se que só após comprovação de análises em boas condições, durante um período de tempo (mínimo de dois meses), é que se verificaria uma das condições para a referida ligação ser assumida.

Ficou ainda combinado que a empresa Águas de Gondomar deveria notificar os utentes dos resultados das remedições solicitadas – comprovando, assim, as medidas médias dos ramais e os montantes para futuro pagamento.

E a cláusula penal nos acordos? Foi-se? Ou ficou?

Ou seja, muito se prometeu e pouco se cumpriu.

Ficaram-se, os responsáveis municipais, por umas “bonitas” frases e notícias na imprensa… Porque é o que fazem de melhor: dizer frases “bonitas” e assumir promessas vazias.

Entretanto o problema “fica” com a população que recebe a conta.

A população de Melres tem (genericamente) assumido uma postura de querer cumprir. Mas sempre partindo do princípio que também a empresa Águas de Gondomar, a Câmara Municipal, o seu presidente e o vereador envolvido nestas questões igualmente assumam – e cumpram! – a palavra dada.

, ,