Momento da verdade

Os dias vão passando envoltos em exercícios mais ou menos habilidosos de retórica, comentários sucessivos  e sondagens, mas no final de tudo isto, far-se-á silêncio e, diante do boletim de voto, chegará o momento da verdade.

Uma verdade que não suporta, não pode mais suportar, a vitimização de quem tendo forçado o recurso à intervenção externa, e tendo dito que governaria bem com ela, tudo prometeu e tudo fez em sentido contrário.

Não há como contornar a lembrança da promessa de Passos Coelho de não cortar salários e pensões e não aumentar os impostos e que o Governo não só fez cortes nos salários e pensões que não constavam no memorando de entendimento com a Troika como também introduziu um brutal aumento dos impostos que se traduziu num aumento da colecta de IRS de 34%, entre 2011 e 2015 e numa subida do IVA de cinco vezes mais do que o previsto no memorando.

É também inevitável lembrar que Passos Coelho prometeu uma justa repartição de sacrifícios e, ao fim de quatro anos, o que verificamos é que o rendimento dos mais pobres diminuiu três vezes mais que o rendimento dos mais ricos.

Chegados aqui, o que se impõe é saber se depois de todos estes sacrifícios o país está melhor e se a vida de cada um de nós está melhor?

A resposta é clara: a dívida pública em vez de diminuir, aumentou para 130% do PIB; o emprego recuou para os níveis de 1995, tendo sido destruídos 200 mil empregos; 350 mil portugueses, entre os quais muitos jovens altamente qualificados, viram-se obrigados a emigrar; a pobreza aumentou e hoje há dois milhões de portugueses em risco de pobreza sendo que uma em cada quatro crianças está exposta a essa situação.

Tudo isto permite-nos concluir que não é por acaso que a coligação não apresentou, até hoje, um programa eleitoral e se limita a criticar o PS. Sabem que foram Governo graças à mentira, ao engano ardiloso e à falsa promessa e alimentam-se da vã esperança de o voltar a ser graças à falácia, à fuga ao debate, ao recurso à mentira e ao medo.

Não há um caminho único para o país e o programa eleitoral do PS, apresentado com base em estudos devidamente quantificados, prova que há uma alternativa viável. Contudo, a opção de voto que pode levar à construção de uma alternativa é apenas uma e os portugueses sabem que só o PS lhes pode dar garantias de uma efetiva mudança. Num quadro de grande disputa e forte bipolarização eleitoral não é possível cometer erros e estou certa que a opção dos portugueses será clara.

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