Mudar de vida

Chegamos ao final do ano 2014. Lembra-se? Era uma data mágica, uma meta, o fim dos sacrifícios, a saída da troika. Depois da cura de austeridade, o país ao bom caminho. Pois cá estamos, já acabou. E o que temos é uma em cada três crianças a viver na pobreza. Mais desemprego, mais emigração e mais dívida do que antes da troika. Afinal, a austeridade é uma forma de redistribuição da riqueza: para dar ainda mais a quem já tem muito. É preciso mudar de vida.
À entrada do novo ano, encontramos um governo no final do prazo. Colapso nas escolas e nos tribunais, contradições, demissões… Mas, por muito que o povo rejeite Passos e Portas – e rejeita mesmo – este governo quer ir até ao fim. Porquê? Porque é um governo de Merkel, apoiado pela União Europeia e pelos grandes bancos que fizeram esta crise, um governo que vende o país a retalho para pagar juros aos agiotas europeus.
A má notícia é que Passos Coelho promete arrastar-se até ao outono, mas 2015 começa também com sinais de esperança. Não falo das novas promessas do Partido Socialista, que são tão velhas como o seu compromisso com os mais poderosos deste país, esses interesses que o PS sempre beneficiou e protegeu, até nos deixar no ponto em que ficámos. Nos partidos do centrão não mora qualquer esperança.
Falo, isso sim, dos sinais que chegam da Grécia – com a possível vitória eleitoral do Syriza – e de Espanha – com a afirmação de uma política alternativa à do centrão – um terramoto que nos mostra que Podemos. Esses são sinais de uma desobediência corajosa, que recusa a ditadura da dívida e a austeridade que destrói a democracia. Em Portugal, o Bloco de Esquerda é a força dessa desobediência que assombra os poderosos. É a proposta aberta e plural que responde pelos de baixo e que luta, solidariamente com todos e todas os que não baixam os braços, por um país com futuro digno.
Portugal precisa de uma vida nova. Essa vida é construída por quem aqui vive e trabalha, quem aqui quer viver, quem faz da indignação a força da coragem e da mudança. Essa vida somos todos e todas nós, um país que não foi derrotado.
2015? Vamos a ele!

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