Na realidade, o que temos é a economia a crescer cada vez menos

Ultimamente temos vindo a assistir a várias notícias sobre dificuldades de funcionamento de serviços públicos por falta de verbas. Ou, mais claramente, de dinheiro. O caso mais recente foi o das escolas que só teriam recebido agora o seu orçamento para este ano, nalguns casos com cortes que chegam a 20%. Isto, como é óbvio, tornaria o início do próximo ano escolar extraordinariamente difícil. O Governo, tal como os partidos que o apoiam – PS, BE e PCP – mantiveram-se em silêncio sobre a matéria. Mas talvez isto ajude a perceber que os discursos de defesa da escola pública estão a ser rapidamente desmentidos pela realidade. Mais uma para juntar à já longa lista de promessas não cumpridas.

De facto, se há coisa que caracteriza o atual Governo é a maneira como a realidade rapidamente desmente as suas palavras, os seus discursos e suas promessas. Isto é particularmente notório se olharmos, por exemplo, para o crescimento económico. Para chegar ao poder, em campanha eleitoral, o PS prometia um crescimento de 2,4%. Já no Governo, moderou a promessa para os 1,8%. E, na realidade, no 1º trimestre, o crescimento foi de apenas 0,9%.

Ou seja, para chegarem ao poder, o PS, diligentemente acompanhado do BE e do PCP, prometeram que a partir de agora as prioridades eram o crescimento da economia, a recuperação de rendimentos e as políticas sociais. Na realidade, o que temos é a economia a crescer cada vez menos, um grande aumento de impostos no gasóleo e na gasolina, e serviços públicos a queixarem-se de dificuldades de funcionamento. A juntar a tudo isto, o investimento está a descer, o que prejudica, e muito, a possibilidade de criação de emprego no futuro.

Do lado das finanças públicas, infelizmente, as coisas não correm melhor. Com este Governo, voltamos ao velho hábito de arrastar os problemas com a barriga. Os pagamentos em atraso, por exemplo, têm aumentado de forma significativa. Só no mês de junho os pagamentos em atraso nos hospitais EPE aumentaram 75 milhões de euros. Por trás destes pagamentos estão empresas que não recebem aquilo que lhes é devido e, como tal, terão provavelmente dificuldades para, por sua vez, pagarem aos seus fornecedores e mesmo aos seus funcionários.

Ou seja, em pouco mais de seis meses, este Governo conseguiu apenas como resultado termos a economia a crescer menos e repetirmos os erros do passado nas contas públicas. Parece que a palavra que mais se adequa é mesmo desgoverno.

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