Não à abstenção

À hora que escrevo esta crónica, apuram-se os resultados das eleições Presidenciais. Independentemente de derrotas ou vitórias, há algo que me consterna: a alta percentagem da abstenção.

É óbvio que para alguns, não foi mesmo possível ir votar. Mas existe um grande número de portugueses que optou, que escolheu em consciência, não exercer o seu dever. É por estes que me consterno, que me envergonho.

Mais de metade da população votante do nosso país considera que uma eleição é um ato fortuito, algo sem importância, sem relevância. Mas é deles a atitude inútil e totalmente oposta à cidadania, ao civismo e ao bom funcionamento da democracia.
Diz a nossa legislação que “a lei não pode estabelecer limites à conversão dos votos em mandatos por exigência de uma percentagem de votos nacional mínima”, o que significa que é preciso votar e lutar, fazer sentir o nosso poder e a nossa vontade através de uma tomada de posição. A abstenção é por isso inútil e totalmente oposta à cidadania, ao civismo e ao bom funcionamento da democracia.
A estes eleitores peço que façam uma forte reflexão, que percebam que escolher o futuro de Portugal é tão importante como as escolhas que fazem na sua própria vida. Que o ato de ir votar é tão determinante como as decisões fulcrais que os orientam.

E não é apenas de preguiça ou indiferença que vive a abstenção nacional. Existe ainda o eleitor que não vota por revolta. Que acha que a sua falta à urna, mostrará o seu descontentamento.

Mas não se pode apurar o que o abstencionista pensa, pretende ou quer fazer mostrar. Simplesmente não votou e não se sabem as razões.

Peço por isso que votem. Que mostrem o vosso contentamento, o vosso desagrado. Que tomem a iniciativa de dizer se concordam, se discordam.

Opina-se em casa, no café, na rua. Mas o mais importante, o fundamental numa sociedade de Direito, é tomar uma posição. É mostrar com o voto que se está disposto a lutar, a fazer a diferença. A participar no bem que é comum. Que é de todos. Que é de Portugal.

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