Não foi por falta de aviso!

Seria bom que não fosse verdade, mas infelizmente, o que era previsível está mesmo a acontecer.

Os setores fundamentais já atravessam sérias dificuldades. Os Agrupamentos de Escolas estão na iminência de ficar sem dinheiro para pagar despesas correntes, como água, eletricidade, gás ou comunicações, sendo que algumas dessas escolas tiveram mesmo que deixar cair projetos e atividades devidamente programadas para os seus alunos O PSD já tinha avisado, aquando da discussão orçamental, para os perigos que poderiam advir da respetiva execução, designadamente na área da Educação. É que anunciar a defesa da escola pública é elementar, o problema é quando os anúncios não coincidem com a realidade, chegando ao ponto de asfixiar o seu próprio funcionamento, sendo, por isso, inevitável concluir que, as cativações orçamentais constituem, sem dúvida alguma, o corte mais cego que se pode fazer, precisamente pelo facto de atingirem, no imediato, serviços considerados essenciais.

Outro dos setores mais atingidos, é o da Saúde, em que os pagamentos em atraso subiram para 605 milhões de euros, tendo as correspondentes dívidas começado a disparar a partir de janeiro do corrente ano.

Os reembolsos do IRS tardam a chegar ao bolso dos portugueses, mais uma vez, numa tentativa de controlar o défice. O portal das queixas da Segurança Social regista centenas de reclamações, que nascem na sua maioria dos atrasos verificados nas prestações compensatórias, designadamente no caso das grávidas e dos doentes.

Na banca, as coisas vão de mal a pior, ainda há poucos dias assistimos a mais um infeliz anúncio, o da possível liquidação do Novo Banco, num momento crucial, ou seja, o da sua negociação.

O dossiê da Caixa Geral de Depósitos continua por resolver, sem darem qualquer resposta concreta aos portugueses, afinal, segundo consta, a comissão europeia tem sérias dúvidas relativamente à solução apresentada pelo Governo, nomeadamente quanto ao valor  anunciado, não concordando com o número de gestores, nem com algumas das hipotéticas nomeações, devido a possíveis conflitos de interesses, nem, ao que parece, com os valores das remunerações que iriam auferir.

Não era certamente isto que desejávamos que acontecesse ao nosso País, muito pelo contrário, não nos resignamos e não desistiremos de alertar para os erros que continuam a ser cometidos diariamente, persistindo, no entanto, a dúvida se ainda há tempo para os corrigir, mas as consequências, essas fazem parte do enredo de um filme já visto e ao qual não queremos voltar a assistir.

A bagagem que levamos para férias vai carregada de preocupações e incógnitas relativamente ao que nos espera na próxima sessão legislativa.

, ,