Não insultem os bolseiros de investigação

Na passada semana, com total surpresa, os candidatos a bolsas de doutoramento e pós-doutoramento 2016 foram informados que a publicitação dos resultados do concurso anual de Bolsas de Doutoramento e Pós-Doutoramento da FCT se encontra atrasada.

O Concurso de Bolsas de 2016 encerrou a 15 de julho, e, de acordo com o regulamento (artigo 18.º), os resultados deveriam sair até 90 dias úteis depois, ou seja, a 23 de novembro de 2016. Neste novo cenário, o novo prazo, alegadamente indicado a alguns dos concorrentes, é fevereiro de 2017, sete meses depois do fim do concurso.

Tudo isto se junta a um concurso já de si absurdamente burocrático, com uma duração extensíssima logo à partida, à falta de articulação dos prazos dos concursos de bolsas com o calendário letivo, ao número reduzido de bolsas (em Antropologia foram postas a concurso somente cinco Bolsas de Doutoramento a nível nacional no ano transato), que não só descredibiliza por completo a FCT, como coloca em causa a investigação.

O Bloco de Esquerda já endereçou uma pergunta por escrito ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, demonstrando a sua aguda preocupação com um atraso que deixa com a corda na garganta a comunidade científica e questionando o Governo se vai ou não reavaliar os novos prazos que a FCT anunciou.

A Ciência e a Investigação não podem continuar reféns de contratos precários, prazos de atribuição que não são respeitados, de bolsas infinitas que não permitem que os investigadores progridam na carreira. Planear um país desenvolvido, com capacidade de responder à evolução do conhecimento, que reinvente soluções para os problemas sociais, para a indústria, economia, agricultura, tecnologia e comunicações, não pode deixar a Política Científica refém de uma agenda que desvaloriza o trabalho dos investigadores.

Einstein já nos dizia: «Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito». E é exatamente disso que precisamos: libertar as políticas científicas de um preconceito ideológico que não aceita a investigação como um trabalho merecedor de direitos e garantias, que esteja ao abrigo do código do trabalho.

,