Novo Banco, um velho problema

Sem pretender apontar as responsabilidades do Governo anterior, recordo apenas que o Governo PSD/CDS criou um problema, mas não o resolveu e, a cada dia que passa, fica mais claro que a tal “saída limpa” não passou de conversa fiada.

Mas convém também ter presente que, quando falamos do Novo Banco, estamos a falar do terceiro maior banco nacional a operar no nosso País, que tem 16% do mercado nacional e que poderia contribuir para o desenvolvimento do país.

Sucede que a solução do Governo é vender. Vender sem nada receber e ainda por cima com o Estado a assumir os riscos do negócio.

Ora, isto é inaceitável, porque os contribuintes já estão fartos de andar a pagar as aventuras dos banqueiros.

Por isso mesmo, Os Verdes não acompanham o Governo nesta solução. Consideramos que a venda do NB, desde logo, não garante, nem assegura a presença do interesse público.

Acresce ainda que o comprador não vai pagar nada ao Estado pela compra e o Estado ainda vai assumir o risco dos ativos do Novo Banco.

Mas mais, o Estado não vai ter uma palavra a dizer sobre a gestão futura do NB, apesar de ficar com 25% do capital. Não terá assento no Conselho de Administração, não poderá nomear gestores e nada poderá dizer sobre o futuro do Novo Banco. Nem uma palavra.

Ou seja, o Estado só está presente para entrar com dinheiro e assumir o risco, mas fica inibido de participar na gestão do NB. Fica sem quaisquer poderes de gestão.

A venda do NB, é, portanto, um erro monumental. É um mau negócio para o Estado e para os portugueses. O Estado pode livrar-se do Novo Banco, mas não se livra dos problemas, porque a venda não os resolve. A venda apenas empurra ou sacode os problemas para o futuro.

Fica assim a ideia que a decisão do Governo em vender e ao mesmo tempo excluir a possibilidade da integração do NB na esfera pública, não foi motivada pelo interesse nacional, mas sim por imposições das instituições europeias.

Mas se as instituições europeias não zelam pelo interesse dos seus estados-membros, se insistem em privilegiar os interesses dos bancos e dos fundos e até dos fundos abutre, em prejuízo dos Estado, então isso significa que as instituições europeias não representam os interesses dos Estados, representam os interesses dos bancos e dos fundos, das negociatas dos grandes grupos económicos.

Nada de novo, portanto.

Por nós, o Novo Banco deve estar ao serviço do interesse público, da nossa economia e do desenvolvimento do País e por isso entendemos que o NB deve ficar integrado na esfera pública.

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