O Carnaval é para levar a sério

Por todo o País o carnaval vive-se como uma festa anual, e em muitas localidades assume mesmo muita importância, como é o caso do carnaval de Torres Vedras, Loulé, Sesimbra, Ovar, Canas de Senhorim, Alcobaça ou da Mealhada, entre outros.
Como sabemos, a terça-feira de Carnaval é culturalmente um dia assimilado pelas pessoas como um verdadeiro feriado, o que tem levado os portugueses a planearem com tempo “uma saída” com a família nesse dia, tantas vezes até com reservas antecipadas de estadias que é necessário acautelar.

O calendário escolar está organizado no pressuposto do feriado na terça-feira de Carnaval, daí a interrupção do ano letivo nesse período, as “férias escolares” de Carnaval. A própria G.N.R. prepara com antecedência e coloca no terreno a “Operação Carnaval”.

Contudo, o anterior Governo do PSD-CDS, decidiu, enquanto esteve no poder, não considerar o Carnaval como feriado, contrariando assim as dinâmicas, sociais, económicas e culturais de várias comunidades e localidades, traduzindo-se numa baixa muito significativa do número de visitantes nas festividades e nos desfiles com consequências económicas graves, sendo essa preocupação também manifestada pelos setores do comércio e turismo alegando sérios prejuízos.

Mas mais, essas decisões do anterior Governo, levaram à situação caricata e singular de termos uma terça-feira de Carnaval, na qual meio País esteve parado e meio país a trabalhar. E a parte do País que trabalhou fê-lo apenas a “meio gás”, porque não houve correio, já que os CTT estiveram encerrados e os bancos não chegaram a abrir. Isto para além das dificuldades de mobilidade daqueles que tiveram de trabalhar, uma vez que os acordos coletivos de trabalho da maioria das empresas de transporte público, consideram a terça-feira de Carnaval como feriado, e portanto apresentam uma oferta muito mais reduzida em termos de transportes públicos. A GNR, mesmo assim, colocou no terreno a “Operação Carnaval” e os estudantes continuarem a ter as “férias de carnaval”.

Por tudo isto, não nos parece razoável, continuar a deixar nas mãos do Governo, a faculdade de, uma ou duas semanas antes, decidir não considerar a terça-feira de Carnaval como feriado, frustrando a expectativa dos portugueses, das autarquias locais e dos operadores de turismo e restauração, que investem e preparam com antecedência esse dia.

Faz, portanto, todo o sentido que, de uma vez por todas, se incluia, no elenco dos feriados obrigatórios, a terça-feira de Carnaval.

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