O combate ao desperdício alimentar

Infelizmente, nós não vivemos apenas numa sociedade de consumo, vivemos também numa sociedade de desperdício. E o combate ao desperdício alimentar, impõe-se, não só pela exploração inútil de recursos naturais que o desperdício implica, e que poderiam ser poupados, mas também pela infeliz constatação de que anualmente milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados, num mundo onde um sexto da população passa fome.

Ou seja, do que falamos, quando falamos de desperdício alimentar, é de um problema de sustentabilidade. Por isso mesmo, esta matéria tem vindo a merecer a maior atenção por parte dos Verdes, seja através da apresentação de iniciativas legislativas na AR, seja através de iniciativas de outra natureza, como a Audição Pública Parlamentar sobre “propostas e estratégias de combate ao desperdício alimentar” que Os Verdes promoveram no início do mês de junho.

Bem sabemos que o desperdício alimentar é um fenómeno complexo, que atravessa todas as etapas dos alimentos desde a sua produção até ao consumo final.

E também sabemos que a tendência para o alongamento das cadeias, afastando cada vez mais o produtor do consumidor, agrava o problema. É por isso que, o “consumir local” tem de ser encarado como uma das prioridades das políticas públicas.

É preciso valorizar e fazer renascer os mercados tradicionais, os mercados de proximidade, os mercados locais, em detrimento das grandes superfícies comerciais.

É necessário apostar nos circuitos curtos de comercialização de produtos alimentares de forma a valorizar a agricultura familiar beneficiando de apoios que acabam por gerar benefícios para um boa e desejável gestão de produtos alimentares.

As aspirações e necessidades daqueles que produzem, distribuem e consomem os alimentos têm de estar no centro das políticas agrícolas, alimentares e comerciais.

São precisos esforços e coragem para combater as regras europeias que vieram potenciar o desperdício alimentar, sobretudo quando falamos de frutos e de produtos hortícolas e as respetivas exigências europeias de possuírem uma determinada dimensão para poderem ser postos à venda.

É preciso olhar para as embalagens de produtos alimentares, tantas vezes apresentadas com um formato desproporcional às diferentes dimensões do agregado familiar, e nunca pensadas para poder contribuir para o combate ao desperdício alimentar.

E por fim, são necessários esforços para alterar hábitos de consumo. Campanhas de sensibilização e informação são nesta matéria, instrumentos decisivos.

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