O dia em que os mercados não mandam

No dia 25 de maio escolhemos representantes para o Parlamento Europeu. Da quantidade de água que pode caber num autoclismo à legislação sobre saúde pública ou imigração, tudo passa pelo Parlamento Europeu. Incluindo, claro está, a austeridade e a relação com os mercados financeiros. Um ex-conselheiro de Durão Barroso já explicou: os resgates a Portugal, Irlanda e Grécia serviram para salvar a banca alemã e não os povos. No dia 25 de maio, cada um de nós, através do voto, pode decidir se quer continuar assim ou se quer construir um futuro mais decente.
Porque crescem o afastamento da tomada de decisão e a desilusão com os partidos do bloco central, que vão alternando mas nunca são alternativa, a abstenção é uma tentação. Em Portugal a abstenção tem sido cada vez maior; nas últimas europeias foi superior a 63% e temos um presidente da República escolhido por menos de metade dos eleitores. A abstenção cresce e os problemas agudizam-se. Não há nenhum poder transformador na abstenção, apenas desistência. São cada vez menos os que escolhem o futuro de todos.
E estas eleições são mesmo sobre o nosso futuro. Instituições nacionais e internacionais avisam que manter o atual rumo do país significa cortar a cada ano, em despesa pública, o equivalente a metade do que se gasta em educação ou um terço do que custa o SNS. Vinte anos com cortes desta ordem destroem as vidas e o país. Não votar, é escolher este futuro de empobrecimento.
Na escolha que se faz para o Parlamento Europeu é importante perceber quem dá força a que políticas. PSD e CDS fazem parte do grupo popular europeu, que tem governado a Europa e que está no poder na Alemanha. O PS faz parte do grupo socialista europeu, que tem votado ao lado dos populares em todas as questões relevantes, dos tratados às sanções sobre os países em dificuldades. É difícil perceber em que discordam estes dois grupos e, na verdade, na Alemanha os socialistas fazem parte da coligação que suporta o governo de Merkel. Na Europa como em Portugal, o bloco central acaba sempre por defender os interesses dos mercados financeiros.
O Bloco de Esquerda faz parte do grupo da esquerda unitária que se tem oposto à austeridade. A primeira candidata e eurodeputada, Marisa Matias, é vice-presidente do Partido da Esquerda Europeia e uma das obreiras de um compromisso político inédito entre partidos de esquerda de toda a Europa assente em três pontos fundamentais: uma política para o pleno emprego, o fim da austeridade e a renegociação da dívida soberana dos países em dificuldades.
No dia 25 de maio escolhem as pessoas e não os mercados. A escolha é entre deixar tudo na mesma ou juntar forças para uma mudança na Europa e em Portugal. O futuro está mesmo nas nossas mãos.

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