O empate na Pedreira que abriu uma clareira

Viva Desporto - abril 2017

O empate em Braga deixou os “dragões” em maus lençóis / Foto: Direitos Reservados

Depois do triunfo claro, por três bolas a zero, da equipa encarnada na recepção ao Marítimo, o Estádio da Pedreira acolheu o prato principal da jornada 29. O derby da capital está aí à porta e a perda de pontos frente ao Braga seria um óbice extra para os dragões no que toca à conquista do Campeonato Nacional. Este teria sido, por isso, um encontro onde todos esperavam uma entrada dominadora e avassaladora do FC Porto. Algo que não aconteceu. Aliás, sucedeu exatamente o oposto. Apatia e pouco perigo no último terço, sendo que a péssima primeira parte da formação portista deveu-se, em grande medida, à abordagem ao jogo por parte de Nuno Espírito Santo. André Silva andou perdido em campo, dado que vai jogando fora do seu habitat natural, não existiu ligação entre os setores e ficou uma vez mais provado que o mexicano Jesús Corona tem que ser titular. Esta equipa está excessivamente dependente dos desequilíbrios individuais de Brahimi e do próprio Corona (quando está em campo), da profundidade de Soares e dos lances de bola parada. Em ataque organizado produz pouco e isso sim, é, de facto, preocupante.

Em forma de contraste, o lado negro deste desporto está cada vez mais denso e não poderia deixar de realçar a importância dos clubes tomarem medidas urgentes para que a tragédia não substitua a magia do futebol. O desporto português já passou por muita coisa. Por muitos episódios. Da mediocridade à excelência. E, nos últimos dias, assistimos àquilo que as claques nunca deveriam protagonizar. Envergonhar as suas próprias equipas. É triste aproveitar uma das maiores tragédias de sempre do futebol para apelar à morte dos jogadores de um clube que tem também contribuído para o que o FC Porto e o Sporting são hoje. Assim como quem acha que pode parodiar com a morte de um adepto rival, deve ser banido do futebol e do desporto. Em definitivo. Tudo isto tem que ver com a falta de respeito pela vida humana em detrimento de uma preferência clubística. Algo que se localiza nos antípodas dos verdadeiros valores do desporto. Já dizia Niki Lauda, um grande piloto de Fórmula 1: “an enemy can be a blessing. A wise man can learn more from his enemies than a fool from his friends”. Só isto, tudo isto. A importância vital de ter um rival. Será assim tão difícil perceber isto?

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