O erro da privatização da TAP

Por Luís Ferreira

A dimensão do erro que a privatização da TAP representa, é de tal forma evidente, que tem merecido a oposição de cidadãos de todos os quadrantes políticos, dos trabalhadores que se organizaram para promover duas petições, com milhares e milhares de subscritores a contestar a sua privatização e até da criação de movimentos para travar o processo, também pela via judicial. Esta onda de indignação mostra que o Governo, está, praticamente isolado na defesa da privatização da TAP.

E não é para menos, porque a TAP é uma empresa estratégica que para além de constituir uma das maiores empresas exportadoras nacionais, acaba por ser um instrumento da nossa soberania, num país com 11 ilhas atlânticas e importantes comunidades emigrantes em todos os continentes, espalhadas um pouco por todo o mundo.

Para além disso, a TAP envolve direta e indiretamente mais de 20 mil postos de trabalho e continua a contribuir todos os anos para os cofres do Estado com cerca de 100 milhões de euros, em sede de IRS e com cerca de 100 milhões de euros para a Segurança Social.

Acresce ainda que, como todos sabemos, a dívida remunerada da TAP, deve-se exclusivamente à desastrosa operação de aquisição da VEM Brasil, com que, aliás, o Governo pacificamente se conformou, nada tendo feito, nem sequer um esforço para a sua renegociação.

O propósito da privatização da TAP levou o Governo a olhar sempre para esta empresa, não como um fator de desenvolvimento ao serviço do interesse nacional e dos portugueses, mas sim, como uma simples mercadoria para venda. Nesse sentido o Governo foi, ao longo do tempo, preparando o terreno, criando limitações e constrangimentos na sua gestão, para procurar mostrar a inevitabilidade da sua venda.

Mas a “conversa” da inevitabilidade da privatização da TAP, não é nova. Na verdade, em 1997, a privatização da TAP, com a venda à Swissair também foi apresentada como inevitável, mas o processo não avançou. Passaram quase duas décadas, a Swissair já não existe, e a Sabena, vendida, então, à Swissair, também já não existe.

Entretanto, nesses 18 anos, a TAP cresceu, os salários foram pagos e a economia portuguesa beneficiou em cerca de 3% do PIB gerado nesse período.

Este exemplo devia ser suficiente para o Governo perceber o erro que se prepara para cometer, até porque o Governo ainda está a tempo de abandonar o seu objetivo de entregar a TAP aos privados e mostrar dessa forma algum empenho na afirmação e na defesa do interesse público e até na defesa da soberania nacional.

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