O exemplo grego

Por Pedro Moura de Oliveira

Pois é, esteve por um fio.

Os nossos amigos gregos cansados porventura, da apertada austeridade que vinham a sentir e deixando-se influenciar pelo populismo de um partido que irresponsavelmente lhes prometeu o céu na Terra, entregaram o seu governo, o seu futuro, à liderança desse partido que, o único resultado que conseguiu obter, foi “empurrar” os problemas financeiros do país com a “barriga”, até ao insustentável momento em que nada tendo almejado a não ser a grave deterioração da situação económica e social, se viram “obrigados” a tirar mais um “coelho da cartola” realizando um referendo que, independentemente do seu resultado, nada de positivo traria á atual realidade grega. É que um “sim” no referendo implicaria claramente o desmoronar da coligação grega no poder e o renascer de mais uma crise, entre as tantas já existentes no país, lançando ainda mais a já muito frágil situação grega no labirinto do absurdo. Por sua vez, um “não” no referendo apenas acicataria os credores a tornarem-se bem mais incisivos, isto é, a abandonarem qualquer laivo de solidariedade que ainda tivessem e a exigir dos gregos uma definitiva postura de responsabilidade, sob pena de lhes acontecer o pior e se verem obrigados a abandonar o euro e a ficarem entregues a si próprios, numa conjuntura completamente hostil aos seus legítimos interesses enquanto nação.

É inimaginável como um país, ciente da absoluta dependência aos seus credores, a quem devem mais milhões que aqueles que alguma vez poderão pagar, lhes decide tão insensatamente fazer frente, como se estivessem em posição de decidir o que fosse na forma como aqueles lhes poderiam emprestar mais dinheiro. Um país que inadvertidamente já se tinha colocado numa quase que humilhante posição de incumpridor das suas obrigações perante um desses credores, o FMI.

Ora, a verdade é que tendo o governo grego recusado a aceitar, há duas semanas, um acordo no “refrescamento” das condições que lhe permitissem receber o valor da última tranche do 2.º resgate ainda em vigor, por entender serem excessivas as obrigações emergentes desse acordo, acabou por inexoravelmente entregar-se a um acordo para um terceiro resgate cujas condições são manifestamente mais gravosas e, aí sim, efetivamente humilhantes para o povo grego, em função dos pressupostos com que o seu governo fazia depender, nos últimos meses, qualquer acerto com os credores.

Cremos objetivamente que o governo grego terá aprendido a lição e que perante tão frustrante resultado, o povo grego pensará necessariamente, no futuro, mais que duas vezes, antes de votar em quem unicamente lhe soube só oferecer ilusões.

Nós, os portugueses, que tivemos que “comer o pão que o diabo amassou” nesta legislatura que está a terminar, percebemos perfeitamente, com o exemplo grego designadamente, as consequências de uma escolha eleitoral insensata, pelo que como dizem os nossos irmãos brasileiros, “não estamos nem aí”, de corrermos o risco de votar em quem crie as condições de ter que aprovar um acordo, acintosamente mais austero que aquele que, apesar de razoável, a nossa incompetência nos tenha levado a rejeitar ou a incumprir.

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