O fenómeno do populismo

Escrevo neste espaço há quase 4 anos. Quase sempre, e porque considero ser essa a função destas crónicas, escrevo sobre o concelho, e principalmente sobre as políticas que têm sido tomadas em prol do seu desenvolvimento.

Mas desta vez sinto-me impelida a falar de um tema mais generalista, mas que entendo ser transversal e atual: o populismo.

O termo não é novo. Consta que tem origem no século XIX nos Estados Unidos, e na voz dos especialistas é uma ideologia que olha para a sociedade como composta por dois grupos homogéneos mas antagónicos: a população e a elite. Sintetizando, os populistas entendem que o povo está cativo de uma elite corrupta, que deve ser derrotada pelo voto, pelo próprio sistema democrático. Mas se defendem a democracia pela convicção na regra da maioria, são também antidemocratas na sua rejeição ao estado de direito, incluindo a liberdade de expressão.

A vitória de Donald Trump, e a constante subida nas sondagens de vários partidos populistas europeus são prova da atualidade (e perigosidade) do tema. É também verdade que o populismo perdeu nas recentes legislativas holandesas, bem como nas presidenciais austríacas, mas é necessário considerar que houve inquietação até ao fim.

O medo generalizado ou a desacreditação nas forças políticas que soam nos cafés, ou em pequenos grupos pouco organizados, ganham um enfoque imensurável pela comunicação social. Seja em reportagens constantes sobre o tema, ou até na passagem daquilo que é a mensagem negativa destas vozes, a verdade é que dão diariamente antena a estas ideias, a estes personagens, amplificando o seu discurso, deixando-o fluir, e contribuindo para a sua aceitação por parte da população.

Da mesma forma que o fenómeno do populismo aparece com mais vigor, da mesma maneira pode enfraquecer e deixar de ameaçar aquilo pelo que tão duramente lutamos. E se por um lado é fundamental que a comunicação social deixe de explorar este tema, é tão ou mais importante que se faça política genuína.

Os cidadãos não precisam de promessas vãs. Os cidadãos sabem que é preciso debater com profundidade o desenvolvimento, a estratégia e a modernização da sociedade. Basta que o discurso político vá de encontro aos seus pensamentos, que convirja nas suas ânsias e vontades.

É para isso que devemos trabalhar diariamente. Estar na rua e ouvir. Ecoar de seguida nos nossos discursos e nas nossas ações. Ter a certeza que estamos a cumprir e a fazer mais. Ter a certeza que estamos a fazer um bom trabalho, porque os nossos cidadãos continuam a acreditar em nós. Trabalho árduo, e fazer acontecer. É assim que calamos e extinguimos o populismo.

Foi assim que fizemos em Gondomar, será assim que o continuaremos a fazer.

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