O Governo que já era

Um governo a prazo, que os portugueses revogaram no passado dia 4 de outubro, apresentou-nos um programa de Governo repleto de pressupostos falsos e a partir de premissas erradas. Logo no primeiro parágrafo, podia ler-se: “De uma forma clara, os portugueses disseram que queriam que o PSD e o CDS prosseguissem na sua missão e levassem adiante o seu compromisso de trabalho nesta legislatura”.

Sucede que os portugueses não disseram nada disso, não foram os portugueses que disseram isso. Quem quis que o PSD e o CDS continuassem as suas desastrosas políticas foi o Presidente da República. Os portugueses disseram uma coisa completamente diferente. Aquilo que os portugueses disseram no dia 4 de outubro foi:

Vamos eleger 230 deputados à A.R. criando uma nova correlação de forças no parlamento, de forma a impedir que o PSD e o CDS continuem no Governo.

Vamos criar as condições para quebrar este ciclo de políticas de direita, que destruíram a nossa capacidade produtiva, que aumentaram as desigualdades sociais, que alargaram o fosso entre ricos e pobres, que agravaram as injustiças sociais e que colocaram a generalidade dos portugueses, praticamente a pão e água. Foi isto que os portugueses disseram no dia 4 de outubro: Não queremos continuar a ser vítimas das políticas do PSD e o CDS.

Impunha-se, portanto, traduzir estes resultados eleitorais. Foi a democracia a funcionar. Quer se goste, quer se não goste, são estas as regras da democracia e com elas teremos de saber conviver.

Mas os portugueses, não só, condenaram de forma muito clara, as políticas de austeridade e de empobrecimento prosseguidas pela coligação de direita, como também expressaram uma firme vontade de mudança de políticas.

Seria, assim, irresponsável não atender a este novo quadro parlamentar, como se não tivesse havido eleições e como se tudo se mantivesse igual.

Bem sabemos que os partidos que se comprometeram perante os eleitores com as políticas de mudança assentam em propostas políticas diferentes, têm programas eleitorais diferenciados e avançam de pontos de partida também diferentes.

Ainda assim, face à emergência de pôr fim às políticas de austeridade e procurando ir ao encontro da vontade dos portugueses, Os Verdes rejeitaram o Programa de Governo do PSD/CDS e envolveram-se com seriedade e responsabilidade na discussão de um programa de Governo sustentado em políticas alternativas, capaz de quebrar o ciclo de empobrecimento e de travão ao desenvolvimento ambiental, social e económico do país.

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