O grande negócio do Mercado da Areosa

Quando a Câmara levou para aprovação na Assembleia Municipal a proposta de um novo mercado, muitos foram os que defenderam um caminho diferente que passava pela recuperação daquele espaço no sentido de servir melhor todas as partes (vendedores e compradores) mas, a Câmara e os membros da Assembleia que sustentavam o executivo foram frontalmente contra.
Lembro-me de ter questionado o executivo por não optar pelas propostas que iam no sentido da reabilitação tendo o vice-presidente defendido que, o que era bom era fazer uma concessão da obra a privados porque dessa forma o município não teria custos mas infelizmente hoje, o que temos é um mercado completamente descaraterizado sem clientes e o pequeno comércio numa situação de sufoco. Tudo graças a uma decisão completamente desastrosa do anterior executivo. O resultado está à vista, uma obra que teria um custo nunca superior a 250 mil euros acabou por ficar ao município por 3.500.000 euros.
O atual executivo, foi confrontado com a decisão do tribunal para a anulação do contrato de exploração do parque de estacionamento tendo interposto um recurso pedindo, e bem, a anulação do acórdão do tribunal arbitral mas, depois acabou por negociar o pagamento de 3.500.000 à Opção Sublime S.A, com o argumento de que essa decisão era a melhor para o município.
Assim, perguntei na última Assembleia Municipal, se estavam esgotadas todas as possibilidades do não pagamento de juros até prenuncia final dos tribunais, nomeadamente, através de interposição de providência cautelar de modo a minimizar o prejuízo para o Município e para que fosse possível apurar a verdade, com a máxima transparência, sobre este negócio.
O Bloco de Esquerda, opôs-se desde a primeira hora a esta operação de concessão por considerar, em 1.º lugar, que estava contra o interesse público ao destruir o mercado em vez de o reabilitar e ainda com os consequentes prejuízos, para os comerciantes não só do mercado mas também do pequeno comércio à sua volta.
Em 2.º lugar, por apenas favorecer a exploração a um privado num negócio que seguramente a empresa concessionada (Opção Sublime S.A.) previa ser bastante lucrativa.
Como tal, deveria assumir todos os riscos, o que não veio acontecer, e assim, com este belo negócio feito no reinado de Valentim Loureiro & Companhia, os gondomarenses vão ficar privados de investimentos em áreas tão importantes como as obras municipais, ação social, cultura e educação, uma vez que é daqui que sairão os 3.500.000 de euros para pagar por este crime feito contra os gondomarenses.

O Bloco tinha razão!

Deixo aqui o alerta de que, dentro de pouco tempo, vamos ser chamados a pronunciarmo-nos sobre o que fazer daquele espaço e irá ser preciso estarmos todos muito atentos.

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