O lado (mais) bonito do futebol

João Félix e Nani, os autores dos golos / Foto: Direitos Reservados

Na capital, logo à terceira jornada, águias e leões marcaram encontro num Estádio da Luz a ferver por todo o lado. Embora antecipado por um clima sereno e respeitador por parte dos dois clubes, um dérbi será sempre um dérbi. Um jogo especial. Que vale mais do que os três pontos, mesmo que alguns insistam em negar. Permite uma confiança extra à equipa vencedora e leva as emoções dos adeptos ao seu expoente máximo. Contudo, num jogo faminto de qualidade exibicional, a frieza de Nani e o talento de João Félix permitiram que cada equipa somasse um ponto. Os miúdos encarnados vão mostrando aos graúdos que carácter não tem idade. E não basta ter (muito) talento. Ao mais alto nível, a mentalidade faz toda a diferença.

Quando ninguém sai derrotado, como foi o caso no jogo deste fim de semana, já se avaliam outras coisas. Porque como Mourinho fez questão de interpelar nesta sua última conferência de imprensa envolta em polémica, o que pesa mais afinal? O resultado ou a forma de jogar de uma equipa? Eu acredito que existe uma relação de simbiose entre estas duas premissas. Apesar de o tempo ser injusto com alguns treinadores, Pep Guardiola, Maurizio Sarri e Jürgen Klopp não enganam ninguém. Só um deles vai ganhar a presente edição da Premier League. Mas uma coisa é certa: nunca nos vamos esquecer deles pelas melhores razões e isso é o que verdadeiramente importa. As suas equipas fascinam dentro de um campo de futebol. Porque não precisam de um adversário para mostrar toda a sua qualidade, ou seja, não jogam em função de alguém. Implementam o seu futebol dinâmico, querem ser os protagonistas, preconizam um futebol bonito e, com ou sem títulos, este desporto só lhes pode agradecer.

Mais a Norte, o Dragão festejou ao intervalo, até porque vencia por 2-0 diante de um Vitória que, esta época, ainda só tinha conhecido o sabor amargo da derrota. Uma equipa abalada. Triste. Todos pensavam que os três pontos estavam, por isso, assegurados. Todos… menos Luís Castro e os seus pupilos. A crença e o valor do plantel vitoriano falou mais alto do que todas as circunstâncias que puxavam a corda para o lado azul e branco. No futebol não há vencedores por antecipação e, durante a segunda parte, os golos de André André, Tozé e Davidson protagonizaram a “remontada” que chocou a Invicta. O FC Porto já não perdia em casa para o campeonato desde abril de 2016. É obra. Todavia, perante todo este cenário, a reviravolta da turma de Guimarães não lhe fica atrás.

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