O mesmíssimo PS

Reconheço que criei alguma expetativa. Reconheço que alimentei a ideia de que algo poderia mudar e que a política em Portugal poderia evoluir para padrões aceitáveis de responsabilidade, onde os diferentes intervenientes percebessem os limites da “trica” política a partir dos quais Portugal estaria sempre primeiro.
As primárias do PS foram uma excelente iniciativa, seja pela democraticidade que representaram, seja pela visibilidade e protagonismo que lhe emprestaram, colocando o PS à frente de todas as notícias e criando um acintoso novo elan de esperança a todos os seus apaniguados. Até nós, os não socialistas, não deixamos de acompanhar com interesse o desenlace do processo.
Pois, a verdade é que um mês depois de tanta promessa de mudança deparamo-nos com o mesmíssimo PS. Os mesmos tiques, as mesmas ideias, o mesmo calculismo interesseiro, onde o umbigo dos interesses do partido se sobrepõe a tudo, mesmo ao país. Falou-se muito na campanha interna em consensos alargados, invocando Costa de Seguro uma inusitada incapacidade deste em os gerar. No entanto agora que lhe tomou o lugar, Costa segue pela mesma bitola de Seguro, dizendo que, consensos só depois das eleições.
Na realidade tem sido esta a malapata do país. PS e PSD, têm mantido postura idêntica sempre que se encontram no governo ou na oposição. Quando no governo, clamam intensamente por consensos, em prol do país em prol dos portugueses. Quando na oposição, não sabem mais que dizer mal, que refutarem qualquer iniciativa de quem governa, de apelidarem estes de incompetentes.  
A tão propalada responsabilidade partidária não pode continuar a ser mero slogan estratégico, tornando-se essencial que os partidos da área da governação aproximem drasticamente a sua praxis daquelas que são as concretas exigências de consenso que o país clama. O país não está em condições de aguentar mais este desgoverno da acção partidária, onde uma irresponsável inversão de prioridades faz com que estes partidos se achem mais importantes que o próprio país.
Se o Partido Socialista pensa que uma vez chegado ao poder os grandes consensos serão alcançados, pois está muito enganado porque o PSD fará precisamente aquilo que o PS está a fazer agora: desacreditar quem governa e arregimentar os descontentes no propósito de voltar ao poder.
O caminho só pode ser um portanto, porque chegou o tempo, que é agora, de alterar o paradigma. Já não há espaço para a reserva mental dos “(des)consensos”. O país está no “fio da navalha” e sem os necessários consensos, cairá desamparado. Então o PS, que inexoravelmente acederá ao poder, fará apenas a gestão dos seus destroços. Será isso que quer?

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