O metro em Gondomar

Gondomar tem sido um dos concelhos do “coração” da Área Metropolitana do Porto (AMP) que mais tem sido secundarizado na definição daquelas que são as prioridades de ampliação da rede/Metro, continuando com uma ligação que rotulamos de residual a tão essencial infraestrutura da rede de transportes metropolitanos.

E tanto mais estranha se nos afigura tal realidade quando percebemos que o presidente da Câmara Municipal de Gondomar, é tão-somente, o responsável pelo sector dos Transportes na Área Metropolitana. É claro que entendemos que o exercício/desempenho do cargo, exige uma visão estruturante do investimento a fazer, por forma a que possa ter um grande efeito multiplicador seja na eficácia, seja na oportunidade, seja na qualidade de vida das populações que o Metro serve. Contudo, todos reconhecemos também, porque a intuímos, a forte apetência que a população gondomarense, considerando as suas características, tem, para fazer uso de um meio de transporte como este, representando a sua ampliação em Gondomar uma importante forma de potenciar e facilitar a mobilidade dos gondomarenses por entre as urbes do concelho como, e tão importante, num melhor e mais efetivo acesso ao Porto, centralidade maior da área Metropolitana. Estamos convictos que seria um investimento financeiramente sustentável do projeto do Metro, para além da sua repercussão fortemente social, no concelho.

Nesta vertente (social), justifica-se alertar os responsáveis pela administração do Metro, para as injustiças relativas existentes ao nível do tarifário aplicável, pois não se justifica que quem cumpre uma viagem de Fânzeres até à Trindade pague precisamente o mesmo que paga quem utiliza a Rede Andante em Espinho até à mesma Trindade, ou seja, os mesmos quarenta e sete euros. Não defendemos um aumento do valor a pagar para quem vem de Espinho, mas sim um melhor escalonamento tarifário para o percurso começado em Fânzeres. E a verdade é que, talvez por ser assim, constatamos o absurdo de os gondomarenses terem que pagar no percurso entre estação e meia, o valor de 11 euros mensais, isto é, se prescindirem os gondomarenses de entrar no Metro em Fânzeres e passarem a utilizá-lo em Carreira, uma estação e meia depois, em vez dos 47 euros mensais, pagarão 36 euros. É que a zona C9 termina a meio da estação de Carreira e Venda Nova seguindo-se depois a zona C8 até Fânzeres. Justifica-se que o percurso entre estação e meia implique o pagamento dos referidos 11 euros? Tanto quanto sabemos não existe outro exemplo em que na rede do Metro do Porto, uma zona tenha apenas uma e meia ou duas estações.

Enfim, Gondomar não deve nem pode continuar a ter um peso relativo tão subalterno no contexto das prioridades de investimento e crescimento da linha do Metro do Porto, competindo ao presidente do Município, até porque é o responsável pelo sector dos Transportes na AMP, uma ação bem mais incisiva e reivindicativa junto dos seus pares, sensibilizando-os para a mais que justificada necessidade da Junta Metropolitana, nesta vertente, “olhar” para Gondomar como um concelho prioritário.

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