O motivo de sermos um país endividado

Estimados leitores, escrevo este pequeno artigo de opinião, aqui na segunda cidade da Polónia, Poznan, enquanto espero pelo avião que me há de levar a Frankfurt e daí para o nosso querido Porto.
A Polónia é um país com cerca de 40 milhões de habitantes, logo quatro vezes maior do que Portugal, e no entanto, estou aqui neste aeroporto, que serve a cidade comparada ao Porto, que em nada se compara ao moderníssimo e dinâmico aeroporto Francisco Sá Carneiro. Modesto, longe da grandiosidade do nosso, sem mangas de acesso aos aviões, etc. Encontrando-me em serviço como formador pela Sociedade Europeia do Pé e Tornozelo, fomos muito bem recebidos aqui na Polónia, mas com num ambiente ainda a “cheirar” a país do leste, que todos afirmam vir a ser uma potência Europeia, distanciando-se do que parece, ao condenado Portugal. Aqui, notamos um investimento grande, de construções. Mas as infraestruturas, as estradas e outros sinais externos de riqueza, estão muito longe do que vemos em Portugal, um dos países com mais autoestradas por quilómetros quadrados, da Europa. Acredito que a Polónia venha a ser um país economicamente forte no plano europeu. Que o digam os retalhistas como o Grupo Jerónimo Martins, ou até os bancos portugueses, que investiram aqui forte. No entanto, neste momento, a diferença é notória, com o nosso país muito à frente destes países, que no entanto guardam um segredo, para já: mantêm-se com moeda própria, logo, conseguindo controlar os seus movimentos financeiros, apesar de já pertencerem a União Europeia.
Há cerca de 15 dias estive na Lituânia, na sua capital Vilnius, numa missão idêntica à que me trouxe à Polónia, e aí então a diferença com Portugal, diria, é catastrófica, com uma pobreza “franciscana”. Mas o que dizem, é que são países com muito potencial de crescimento, bonitos é certo, com muita história por todos os cantos, mas que me deixa pensativo, porque é que também não estamos no grupo dos países em desenvolvimento.
Finalmente, não posso esquecer a minha visita a Dublin, na Irlanda, país com que nos comparam constantemente, quer na dívida, quer em todo o percurso de desenvolvimento. Então aí, tudo se confunde. Lembro-me de chegar ao aeroporto de Dublin e esperando eu ir de táxi por uma autoestrada (no aeroporto do Porto, para ir a qualquer cidade, não faltam autoestradas, das melhores), não é que fui por uma estrada, coitadinha? Ainda pensei que seria o taxista a enganar-me, mas depois confirmei que não. A cidade de Dublin é bonita, sendo a capital, mas Lisboa é muito mais rica. A Irlanda é um país de uma beleza natural incomparável, mas onde estão as infra estruturas, autoestradas, centros comerciais e aeroportos?
Em conclusão, estimados leitores, agora sei onde os nossos políticos gastaram o dinheiro, que hoje todo o mundo nos reclama, acrescido do facto que, durante anos, até nos bancos tivemos corrupção que acabou por ficar impune pela justiça. Tomara que os nossos políticos consigam tirar partido de todas as infraestruturas que temos, essas sim muito à frente de muitos países e que consigam fomentar aquilo que nos pode salvar, como por exemplo, o turismo, com tudo que esta atividade trás. Só assim poderemos ter um futuro melhor e dar um futuro melhor às nossas futuras gerações.
Sim, agora percebo para onde foi o dinheiro, que tanta falta nos faz.
Até breve, estimados leitores…

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