O Orçamento de Estado para 2014

Em nome da redução do défice e da dívida pública, o Governo PSD/CDS têm vindo a impor um conjunto de duros sacrifícios aos Portugueses. Sucede que o resultado destas políticas tem sido exatamente o contrário, ou seja, com este Governo a dívida pública disparou.
Pouco dado a aprender com os erros, o Governo insiste neste orçamento em prolongar a austeridade e exige mais e mais sacrifícios aos portugueses.
Um orçamento assente em cortes. Mas cortes num só sentido, o sentido do costume. Cortes nos salários e remunerações de quem trabalha; cortes nas prestações sociais, nas pensões de reforma e de sobrevivência, no subsídio de desemprego e de doença, cortes nas deduções ao IRS para os trabalhadores e pensionistas, cortes na educação e na saúde, na segurança social e na justiça.
É claro que estes cortes, a somarem-se aos cortes que há um ano eram provisórios, vão naturalmente emagrecer drasticamente o rendimento disponível das famílias, o que irá provocar uma nova contração da procura interna.
Ora se vamos ter uma nova contração da procura interna, significa que o objetivo que aponta para o crescimento do PIB de 0,8%, não passa de ficção.
Com o forte emagrecimento do rendimento das famílias em 2014 e com uma subida prevista da taxa de desemprego de 17,4% para 17,7%, como é possível esperar uma melhoria no consumo privado?
Ora se o consumo privado não vai crescer, a previsão do crescimento do PIB em 0,8%, fica dependente da procura externa. Sucede que todos os dados apontam, nomeadamente do próprio FMI, que fez agora uma revisão em baixa do crescimento mundial para 2014 face às estimativas anteriores, para que as nossas exportações não andem tão bem como o Governo espera.
E o mesmo se diga relativamente ao desemprego. Nós sabemos que este governo nunca olhou para este flagelo social como uma prioridade a combater. Nunca em tão puco tempo foram destruídos tantos postos de trabalho como aqueles que este Governo destrui. E o Governo prevê agora, neste Orçamento que a taxa de desemprego suba dos 17,4% para os 17,7%.
São números mesmo assim preocupantes, de qualquer forma, ao mesmo tempo que o Governo aponta para essa previsão, impõe neste Orçamento, que as Camaras Municipais reduzam 2% do seu pessoal e que as empresas públicas despeçam em 3% o número de trabalhadores que tinham em Dezembro de 2012.
Portanto, também a previsão do Governo, de fixar a taxa de desemprego nos 17,7%, fica comprometida pelas medidas do próprio Governo.

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