O Parque das Serras

Por Joana Resende

Não deve ter passado despercebida a assinatura do Acordo de Cooperação do Pulmão Verde entre os municípios de Gondomar, Paredes e Valongo, que visa a criação de uma Paisagem Protegida de Âmbito Regional – o Parque das Serras do Porto. Formado pelas serras de Santa Justa, Pias, Castiçal, Flores, Santa Iria e Banjas, este protocolo revela, antes de mais, uma forma nova de fazer política, baseada na participação, partilha, e visão de território metropolitano e não apenas municipal.

Implica pois um consenso logo ao nível da leitura do território, nos seus recursos, expectativas e interesses público-privados. Por outro lado, uma gestão partilhada do território e das infraestruturas entretanto criadas.

Vários estudos revelam que os que habitam em espaços mais urbanos desejam uma natureza humanizada, mais construída pelo homem, representativa do imaginário e do paraíso, onde predominam itens como os jardins ou o contacto com a natureza domesticada, os quais traduzem um ambiente mais saudável representado pelo campo.

A nossa memória é alvo de constante evocação, na medida em que o nosso meio está repleto de lugares/objetos que criam imagens que a despertam; a paisagem evoca a nossa memória quando se torna documento mental do passado na nossa história, e se destaca pela continuidade com o presente.

É por esta razão que a estrutura ecológica deve ser fator essencial na formação do nosso território, não apenas na escala municipal, mas vista num plano macro-abrangente. A filosofia subjacente a este tema assenta no pressuposto que o Homem tem o cuidado de estudar novos modelos de colonização do território, de forma a garantir o equilíbrio entre a biosfera e a polis, com os quais as pessoas oriundas desses territórios se identifiquem.

O projeto do chamado Pulmão Verde foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar, liderada pela Profª Teresa Andresen, arquiteta paisagista. Para além da paisagem única, o território é rico em ruínas castrejas, referências mineiras milenares, e vestígios raros de espécies extintas. Com vista para o mar e paisagens únicas, será um destino de recreio certamente muito procurado, com percursos naturais e culturais, equipamentos de desportos radicais e uma ligação forte à gastronomia.

No dia da assinatura do protocolo, Hermínio Loureiro (Presidente do CmdP), referiu que tinha sido “dado o primeiro passo” e que o caminho para a concretização do Parque das Serras será “um trabalho geracional”. Por isso, serão agora estudados quais os fundos disponíveis, municipais, intermunicipais e mesmo regionais, para que o nosso pulmão Verde seja impulsionado e implementado.

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