O PS e as Primárias

Dia 28 de Setembro, os militantes e aqueles que se quiseram inscrever como simpatizantes do PS vão decidir quem será indicado, em 2015, para ocupar o cargo de primeiro-ministro.
O lançamento deste processo, pioneiro na democracia portuguesa, de realização de eleições primárias para seleção de titulares de cargos políticos, tem gerado a mais viva curiosidade e até polémica.
É evidente que este não é um caminho novo. Com diferentes cambiantes, tem sido experimentado, ao longo dos anos, em diferentes países.
Entendo que este processo está marcado por algumas entorses que advêm, essencialmente: da inadaptação em relação à estrutura do sistema político nacional e da falta de inserção nos estatutos do Partido. Para lá disso, um projeto com este grau de complexidade aconselha a mais tempo de maturação.
No entanto, o facto de o número de cidadãos inscritos como simpatizantes ter ultrapassado o número de militantes é um dado importante e que merece ser sublinhado. Sobretudo, tendo em atenção a nossa tradição de fraca participação cívica.
Se, daqui para a frente, não surgirem grandes problemas e o processo for concluído com o grau de transparência exigível, estou certa que acabará por ser inscrito nos estatutos do PS e entendo que o seu âmbito de aplicação deve ser alargado à seleção para candidaturas a outros cargos.
Encerrado o período de inscrição de simpatizantes e conhecidos os programas apresentados pelos dois candidatos resta a cada um de nós decidir em qual dos dois candidatos vai votar.
Eu já fiz a minha opção. Como sabem, já a fiz há muito tempo.
Portugal e a Europa precisam de um novo ciclo político capaz de inverter a rota de declínio a que os excessos de austeridade nos conduziram e isso só é possível, a meu ver, com o regresso do primado da política o que implica o regresso dos grandes políticos ao centro das decisões.
É por isso que apoio António Costa. Porque reconheço nele o perfil de um grande político com a visão estratégica, a coragem e a determinação capazes de no plano interno e externo romper o cerco do pensamento dominante e recolocar o país na rota do desenvolvimento, devolvendo a esperança aos portugueses.
Votarei, ainda, entre outras razões, em António Costa, porque num momento difícil, em que o PS evidenciava falta de capacidade para se afirmar como uma alternativa credível, teve a coragem de, com grande lealdade partidária e apego patriótico, abdicar do conforto do seu cargo de autarca e disponibilizar-se para enfrentar o combate eleitoral que, em 2015, nos há-de trazer uma nova maioria e um novo governo.

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