O que vai ser este País?

O Portugal do pós-troika será evidentemente um país menos preparado para responder aos desafios do nosso tempo.
O Portugal do pós-troika será evidentemente um país mais pobre e menos apetrechado para responder aos desafios do nosso tempo.
Pensar o pós-troika é muito mais do que pensar como se vai Portugal financiar depois de maio. É pensar que país vai ficar depois do ajustamento (ou melhor, depois desta fase do ajustamento, porque esse continuará, com a perpetuação da austeridade durante 15 ou 20 anos, algo já dito por Passos Coelho como sendo a sua “solução” para pagar uma dívida que sabe impagável).
O que já sabemos é que Portugal ficará um país mais pobre, com menos emprego e com menos capacidade de responder aos desafios do nosso tempo. Esse será o pós-troika e é para selar a estabilização desse desígnio que a direita económica e política que Passos Coelho propôs no ultimo debate quinzenal na AR que está na altura de fazer com o Partido Socialista um pacto de regime
O Portugal do pós-troika será evidentemente um país mais pobre, resultado da redução salarial generalizada, da brutal penalização das reformas e da perda de salário indireto traduzida no esfacelamento prático das políticas de universalidade de serviços públicos essenciais como a educação, a saúde ou a segurança social.
A esse país mais pobre, o país da esmagadora maioria das pessoas, contrapor-se-á um outro Portugal, um mini país em condomínio fechado, feito dos mais ricos do costume que verão, como estão a ver, a sua fortuna duplicar ou triplicar ao sabor de movimentos especulativos ou como prémio de truques fiscais.
Será também um país com menos trabalho dizem-nos que a taxa de desemprego baixou mas esquecem-se de dizer que foi á custa das pessoas que, ou já desistiram de procurar trabalho, ou não encontraram outra solução senão fazer as malas e procurar um futuro noutro país.
Só no ano passado, 116 mil pessoas foram empurradas para fora para encontrar um emprego, quantas famílias não ficaram separadas? Quantos pais não têm agora continentes a separá-los dos filhos, quantos avós não poderão ver os netos crescer?
São gerações perdidas para alimentar o sucesso dos mercados, que, afinal, é o único que interessa a quem nos governa. O país voltou a um padrão da década de sessenta, quando os homens emigravam e as mulheres ficavam em trabalhos pouco qualificados.
O país do pós-troika será, sem dúvida, um país menos apetrechado para responder aos desafios do nosso tempo.

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